Margarida Neto lamenta que eutanásia e saúde mental teham ficado fora da campanha e teme consequências na saúde dos portugueses

Lisboa, 28 jan 2022 (Ecclesia) – A psiquiatra Margarida Neto, da Associação dos Médicos Católicos (AMC), apelou à participação dos portugueses nas próximas eleições legislativas sublinhando o dever de não deixar a escolha na opção de outros.

“Metade dos portugueses continuam a não votar. O não ir votar é não só, não participar no ato provavelmente mais importante da cidadania mas deixar que outros ocupem esse lugar. Mesmo que eu em casa diga que sou contra, o facto de não ir votar permite que uma maioria diferente se instale no país. Em consciência ninguém se devia abster de ir votar”, alerta a médica, em declarações à Agência ECCLESIA.

A AMC apela a uma “clarificação” dos partidos sobre o tema da saúde, em especial sobre a eutanásia, tema omisso durante a campanha, com responsabilidade da comunicação social.

“Com exceção de um ou dois partidos, as pessoas tendem a fugir do tema e a comunicação social não pergunta sobre isso. Há responsabilidade partilhada. O que nos move é chamar a atenção dos portugueses sobre um tema essencial na nossa vida social e, em relação ao que é a política, o que é a lei, quais os princípios e valores que regem uma sociedade, sobre a composição de uma Assembleia da República, que terá presente ou não, uma maioria que já sabemos, votará de uma maneira ou outra”, explica.

Margarida Neto pede aos partidos que clarifiquem a sua posição em relação à eutanásia e aos partidos que defendem liberdade de voto, que os cidadãos possam, saber qual a “opinião do seu círculo eleitoral sobre a eutanásia”.

“Não votamos na consciência do deputado mas no que ele representa e o programa que o partido propõe”, recorda.

A psiquiatra foca ainda um tema relevante para a AMC que é o acesso à saúde e “a forma como a repartição entre público e privado é feito de forma justa e se coloca o doente à frente de ideologias opostas”.

Margarida Nero considera que os profissionais da área de saúde mental estarão na “linha da frente no pós pandemia” e lamenta que esta área seja abordada genericamente.

Na campanha tem-se falado da saúde mental mas de forma genérica. É fácil dizer que não está bem, que a nossa vida dentro da pandemia foi muito perturbadora, de crianças, adolescentes, adultos e famílias. É fácil dizer, fica bem dizer, mas é preciso uma organização e um empenho na saúde mental talvez como nunca se fez. A saúde mental, os psiquiatras e psicólogos serão a nova linha da frente pós pandemia”.

A médica psiquiatra, a trabalhar na Casa de Saúde do Telhal, Hospital da Ordem dos Irmãos São João de Deus, lamenta que ao acordo entre o Estado e estas unidades de saúde, não seja revisto desde 1983.

“Muitas coisas se passaram na Psiquiatria até agora, na forma de atuar, na medicação, em programas de reabilitação e nós estamos a viver abaixo dos mínimos de dignidade. Os doentes são bem tratados mas há que olhar para os doentes mentais porque são os mais escondidos e esquecidos, os que as famílias não querem, os hospitais não querem. Fica um vazio no apoio e acompanhamento destes doentes”, adverte.

Ao longo da semana que antecede as eleições legislativas no próximo dia 30, o programa Ecclesia na Antena 1, tem escutado diferentes vozes do Portugal que vai a votos.

HM/LS

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