Antigo Seminário de Águas Santas, na Maia, acolhe também estudantes deslocados

Porto, 26 set 2020 (Ecclesia) – José Miranda, membro da Fundação José Allamano dos Missionários do Consolata, disse à Agência ECCLESIA que o antigo Seminário de Águas Santas, na Maia, tem “tudo pronto” para receber refugiados.

“Aceitamos receber nove refugiados que, só por causa da pandemia não foi possível chegarem, iriam chegar no fim de fevereiro, sabemos que estão no sul de Itália e estamos a aguardar que cheguem. Temos tudo pronto, temos os kits, os quartos, as camas, e temos muita vontade de os receber porque sabemos que vêm para melhor”, afirmou.

O Centro Missionário José Allamano, antigo Seminário de Águas Santas, na Maia, Diocese do Porto, recebeu em 2019 um grupo de refugiados, “inicialmente por alguns dias que depois foram algumas semanas” e a experiência colocou à congregação o desafio.

“Depois da experiência, a pedido do SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) para receber refugiados uns dias, decidimos focar as nossas energias para este projeto de acolhimentos e integração de refugiados”, refere.

O projeto do Alto Comissariado para as Migrações, em sintonia com o SEF, serão 18 meses para “aprender a Língua Portuguesa, ter acesso à saúde, educação e validação de competências”.

“Além dessa experiência acolhemos um jovem refugiado do Gana, desde maio, que está muito feliz, a trabalhar e perfeitamente legal, já só pensa em poupar o seu dinheiro para daqui a um ano ter a sua autonomia financeira e poder ter uma vida digna e nova”, explica o responsável. 

Olhando para a realidade dos refugiados, José Miranda acredita que os que vêm “são os mais fortes” e ali tudo farão para os ajudar a “ter uma vida melhor”.

“Ninguém vem sem estar no limite do desespero, não são os fracos que vêm, é o contrário, são os mais fortes que têm coragem de sair e se aventurar, quem sai é para procurar algo melhor, muitos deles por serem perseguidos não podem sequer voltar a casa, todos querem ter uma vida melhor e nós estamos aqui para dar o nosso melhor para que isso aconteça”, aponta o entrevistado. 

José Miranda explicou ainda à Agência ECCLESIA que o Centro tem ainda outra valência “distinta” de acolher jovens estudantes deslocados.

“Os Missionários da Consolata, atentos ao que o Papa Francisco foi alertando, de disponibilizar casas e espaços, decidiu abrir as portas do antigo Seminário de Águas Santas, na possibilidade de acolher jovens estudantes, com poucas capacidades financeiras, sobretudo oriundos de países onde os Missionários da Consolata estão, há cerca de 10 anos que vamos recebendo estudantes de Moçambique, Angola e Quénia”, explicou.

Os jovens são acolhidos naquele Centro Missionário que serve de alojamento, “onde se podem sentir à vontade”, vêm com “sede de aventuras mas com receios de quem vem para uma nova cultura” e ali podem ser acompanhados.

Esta entrevista integra o programa de rádio ECCLESIA, na Antena 1 da rádio pública, este domingo, pelas 06h00, ficando depois disponível online; a emissão acontece no Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados,  que a Igreja Católica celebra desde 1914, este ano com o tema “Forçados como Jesus Cristo a fugir”, escolhido pelo Papa Francisco.

SN

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