Porto: Renúncia quaresmal vai ajudar vítimas de tempestades e projetos missionários em Angola e Moçambique

D. Manuel Linda sublinha que o amor a Deus é «inseparável do amor aos outros»

Foto: Diocese do Porto

Porto, 17 fev 2026 (Ecclesia) – O bispo do Porto anunciou que a renúncia quaresmal da diocese será este ano repartida entre o apoio às vítimas das recentes tempestades em Portugal e projetos de caridade em Angola, Moçambique e noutras zonas de conflito.

Após consultar os organismos de aconselhamento diocesanos, o bispo do Porto decidiu dividir o contributo penitencial dos fiéis em quatro partes iguais (25% cada): para as vítimas das tempestades em território nacional; para a Missão de Calumbo (Angola), no projeto ‘Sopas Nutritivas’; para o projeto ‘Renascer p’ra Esperança’ da Juventude Missionária Vicentina em Chirrundzo (Moçambique); e para responder a pedidos de ajuda internacionais motivados por guerras e calamidades.

Na sua mensagem para a Quaresma de 2026, intitulada ‘A lógica da fé e do amor’, D. Manuel Linda sublinha que o amor a Deus é “inseparável do amor aos outros”, apelando a uma mudança de vida que não seja apenas “teórica ou intelectual”.

“Esta mudança de estilo de vida implica com a vida concreta e com as escolhas que fazemos. Implica com o amor concretizado: na aceitação e resposta ao amor de Deus e na difusão que dele fazemos, em gestos de benignidade, aos irmãos e a toda a sociedade”, escreve, num texto divulgado pelo jornal diocesano ‘Voz Portucalense’.

A renúncia quaresmal é um gesto associado às práticas tradicionais da esmola e do jejum, no qual os fiéis abdicam da compra de bens ou serviços habituais, reservando esse dinheiro para finalidades solidárias específicas, indicadas pelo bispo da diocese, durante o tempo de preparação para a Páscoa.

D. Manuel Linda recorda que a conversão, no sentido bíblico, significa literalmente “andar na direção oposta”, citando o exemplo de Santo Agostinho para ilustrar a reorientação da vida para Deus.

“Na relação com Deus, a prioridade deve ser concedida ao timbre de uma fé que, cada vez mais, nos identifica e configura com Ele”, refere a nota, que recomenda a leitura orante da Palavra em família, a oração, a confissão e o jejum.

O bispo do Porto destaca ainda que a Quaresma deve ser vivida com uma “especialíssima dimensão de solidariedade fraterna”, que inclua gestos de reconciliação e o cuidado com o mundo material e as criaturas.

“A vontade de Deus é que todos vivamos como irmãos”, reforça D. Manuel Linda, apresentando o duplo mandamento do amor como o “único caminho” exigido aos crentes.

A mensagem termina com um apelo à “coragem” para percorrer esta “via de salvação” rumo à Páscoa do Senhor.

OC

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