Bispo diocesano fala da importância de «padres novos para um tempo novo»

Porto, 16 jul 2021 (Ecclesia) – O bispo do Porto, que este mês ordenou oito sacerdotes, disse que vão ser “padres novos para um tempo novo” e encarar o futuro da Igreja com uma “nova mentalidade”, no pós-pandemia.

“Estes sacerdotes vão formar o povo de Deus para a mudança que se avizinha, a que nós chamamos a sinodalidade, de todos os participarem em conjunto do bem da Igreja, mas cada um com o seu próprio ministério”, explicou D. Manuel Linda à Agência ECCLESIA e Rádio Renascença.

Os novos padres são chamados a congregar todo o povo de Deus, colaborando “para um bem coletivo”, onde os padres são “o grande animador, o motor de arranque, mas não o faz tudo”.

A celebração de ordenação dos oito sacerdotes aconteceu a 11 de julho, na igreja de São Lourenço (a igreja dos Grilos): seis do Seminário Maior do Porto e dois do Seminário Diocesano Missionário ‘Redemptoris Mater’.

“Estes sacerdotes vão ser chamados a fazer aquilo que é típico deles, a celebração da Eucaristia e outros sacramentos que só o sacerdote pode celebrar, mas também congregar toda a dinâmica do povo de Deus para que as tarefas evangelizadoras, sociocaritiativas, numa palavra a difusão da fé continuem a estar muito presente em cada uma das comunidades, que habitualmente chamamos paróquias”, desenvolveu o bispo do Porto, em declarações que são emitidas hoje no Programa ECCLESIA (RTP2).

Para D. Manuel Linda, os novos sacerdotes “são uma bênção” e vão servir fundamentalmente nas paróquias, onde as necessidades aumentaram nos últimos meses.

Este ano, por causa da Covid, morreram vários sacerdotes que estavam no ativo, por motivos de doença de outros, de idade, e até alguma reestruturação de unidades pastorais que queríamos implementar precisava urgentemente de mais sacerdotes”.

O padre Marcos de Sousa e Silva entrou para o seminário há 10 anos, após “um momento em que estava debilitado” e sentiu com mais força a presença de Deus.

“Isso fez-me olhar com outros olhos para a missão e que a Igreja está viva, que o Senhor continua a suscitando vocações em todos os tempos e o Espírito Santo é aquele que acompanha a Igreja e anima a estes chamamentos. Já tinha vivido uma relação conjugal, não tinha sido casado, e depois de alguns anos terminou e eu estava um bocado deprimido, numa solidão e sentia um grande vazio dentro de mim”, afirmou.

Aos 32 anos, o padre Luís Delindro Gonçalves, que já foi fisioterapeuta, fala de um caminho “de encontro a este Cristo que chama” e ao qual quer “dedicar a vida”.

“Foi um dos momentos de encontro com este Cristo que me chamou a uma entrega maior, diferente talvez da fisioterapia, mas com o mesmo sentido queira Deus de serviço e de generosidade”, acrescentou, observando que foi “uma escola muito bonita de serviço, de dedicação aos outros, de escuta”.

Neste percurso destaca a sua Paróquia, em Rio Tinto, e a comunidade de origem, onde “tudo foi essencial”, e sobre o futuro espera que “seja um caminho de fidelidade, de generosidade no serviço à Igreja e a todos”.

Formado em Gestão Hoteleira, o padre Luís Lencastre, também com 32 anos, já estava no mundo profissional, a trabalhar num hotel na Madeira, quando percebeu que “Deus chamava a dar de comer e beber de outra maneira, a servir e acolher de outra forma”.

O novo sacerdote fez um “caminho de discernimento” até chegar ao seminário e até ao dia da ordenação em concreto e encara este “grande desafio” sempre com a lógica de ter como “grande modelo e a grande referencia” Jesus.

Portugal está a preparar-se para a Jornada Mundial da Juventude Lisboa 20023, encontro que também suscita vocações, mas Luís Lencastre alerta que, nalguns aspetos, a Igreja não fala uma linguagem que chegue aos jovens.

“Os jovens muitas vezes participam nas celebrações eucarísticas e na vida da Igreja, dos sacramentos, e a linguagem não lhes diz nada, mas também é importante percebermos que este caminho até às jornadas pode ser uma oportunidade para escutarmos aquilo que os jovens nos pedem e também adaptarmo-nos e podermos estar cada vez mais próximos da sua linguagem, do seu modo de vida e sermos de alguma forma referências e rostos desta Igreja que se quer jovem, onde os jovens sejam protagonistas da ação”, desenvolveu.

CB/OC

D. Vitorino Soares, reitor do Seminário Maior do Porto, salientou que as ordenações são sempre “um dia de festa para a família” desta casa de formação.

“O momento é também o meu momento, e de todos aqueles que vivem nesta casa. Mais do que casa é um tempo de vida do qual participaram, outros continuam a participar na sua caminhada e eu, como reitor, sinto-me feliz nesta família porque, de certo modo, assumo também alguma paternidade, não paternalismo, mas de alguém que os acompanhou nesta fase final”, desenvolveu o bispo auxiliar do Porto.

O reitor do Seminário Maior de Nossa Senhora da Conceição do Porto destaca que “as vocações continuam a existir”, e está “convencido” que, no meio do anonimato, das comunidades e das famílias, “haverá muitos outros” que “estão à espera deste clique”.

“Espero que este número, oito, possa mexer, possa provocar e, sobretudo, possa incentivar outras minorias ou números menores que possam andar perdidos”, acrescentou D. Vitorino Soares.

 

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