Sacerdotes, diáconos e «todos os fiéis» da diocese «mobilizados contra todas as pandemias»

Foto Agência Ecclesia/PR

Porto, 29 mai 2020 (Ecclesia) – O bispo do Porto escreveu uma carta onde mobiliza a diocese “contra todas as pandemias”, nomeadamente a da “pobreza”, agora que vão “celebrar a fé de maneira comunitária” e retomar a vida económico-social “em condições relativamente normais”.

“Esta pandemia da pobreza e das dificuldades de todo o género, ao contrário da virológica, não se combate com isolamento social mas com a proximidade pessoal, afetiva e efetiva”, afirma D. Manuel Linda.

Na carta enviada hoje à Agência ECCLESIA, o bispo do Porto pede a cada pessoa da diocese que “procure responder, como ser humano e como cristão, a esta emergência social”, “de acordo com as suas circunstâncias e possibilidades”, movidos pela consciência pessoal e, “ainda mais, pela responsabilidade originada na fé”.

Na carta ‘Mobilizados contra todas as pandemias’, aos sacerdotes e diáconos e a todos os fiéis da Diocese do Porto, D. Manuel Linda contextualiza que a pandemia do novo coronavírus Covid-19 “continua aguda” em muitas partes do mundo e “deixou enormes situações de pobreza e debilitou ainda mais os que já eram débeis”.

“A pobreza nunca esteve ausente do nosso contexto social. Mas a situação que vivemos, além dos abalos na saúde e vida de tantos, fez enormes estragos, entre outros, na sustentabilidade financeira de muitas pessoas e de famílias inteiras. A fome é uma realidade”, desenvolveu.

Foto João Lopes Cardoso/Diocese do Porto, D. Manuel Linda

Para o bispo do Porto é preciso pensar no contexto local e nacional mas também a nível internacional e observa que se o coronavírus atingir África “em força” a sociedade tem de se “comprometer com esses que, de forma habitual, já são os mais pobres dos pobres”.

“Sem querer instrumentalizar este apelo, também não se esqueça que a família paroquial – a paróquia, com as suas estruturas e servidores – está, em muitos casos, entre estes necessitados”, acrescentou, recordando que “não se vão realizar as festas patronais de verão” e os dinheiros que se pensava gastar podem ser encaminhados “para as grandes necessidades sociais, concretamente para os sem-abrigo”.

No contexto do regresso das celebrações comunitárias com presença de fiéis, a partir deste sábado, D. Manuel Linda começa a sua carta a afirmar que vão levar “a dimensão religiosa muito a sério”.

“Aproveitaremos esta circunstância que abalou o mundo para tentar corrigir aspetos que necessitam de humanização, especialmente no campo das relações familiares e sociais e na economia”, explica o bispo do Porto.

Este domingo, D. Manuel Linda vai presidir à Eucaristia da Solenidade de Pentecostes, a partir das 11h00, na Sé, e à noite à Oração do Terço nas ruas, com a imagem de Nossa Senhora de Fátima, entre a igreja do Marquês e o Hospital de Santo António,  encerrando o mês mariano de maio, a partir das 20h30.

CB

 

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