Diretora do Serviço de Pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa diz que é preciso «evoluir bastante mais» na Igreja e na sociedade

Foto: Miguel Rato/RR

Lisboa, 04 dez 2022 (Ecclesia) – A diretora do Serviço Pastoral a Pessoas com Deficiência (SPPD), da Conferência Episcopal Portuguesa, afirmou que a JMJ Lisboa 2023 vai deixar um “legado”, neste campo, para a Igreja e a sociedade.

“[A JMJ) Deixa um legado para as pessoas com deficiência, que vão continuar a utilizar esses espaços, sejam eles igrejas, centros sociais e paroquiais ou quaisquer outros espaços”, realçou Carmo Diniz, em entrevista conjunta à Ecclesia e Rádio Renascença, emitida e publicada este domingo.

Numa conversa a respeito do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência (3 de outubro), a também responsável pelo Gabinete de Diálogo e Proximidade do Comité Organizador Local (COL) da Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023 sustentou que o acolhimento destas pessoas não se projeta como “um grupo em separado”, sublinhando o objetivo de criar um espaço “acessível a toda a gente”.

“Desde o início que trabalhamos com a logística, com uma consciência de que os espaços têm de ser acessíveis, temos de garantir a acessibilidade”, insiste.

Carmo Diniz assume como um dos pilares da organização da JMJ em Portugal o objetivo de que “deixe um legado”, na consciência de todos

“Dentro da Direção de Acolhimento e Voluntariado existe um grupo de trabalho para acolher os voluntários com deficiência que se inscrevem, para os alocar às funções adequadas às suas capacidades”, acrescenta.

A responsável alude a uma “estratégia de sustentabilidade” na edição de Lisboa, destacando que “um jovem, em 2023, já não tolera desperdício, não tolera resíduos” e que a própria sociedade será particularmente “crítica” se isso acontecer.

Carmo Diniz, nomeada diretora do SPPD em novembro, pela CEP, assume uma “uma dedicação total e completa à JMJ”, até agosto do próximo ano, prevendo “muitos frutos para o Serviço Nacional e também para os serviços diocesanos”, por considerar “provável e desejável que alguns projetos ganhem uma dimensão maior”.

“Tem-se evoluído, mas tem de se evoluir bastante mais. Não podemos dizer que na Igreja em Portugal qualquer pessoa com deficiência aceda aos sacramentos com tranquilidade. Isso não é verdade”, acrescentou.

Em maio deste ano, o Dicastério para os Leigos, Família e Vida, a propósito dos trabalhos do Sínodo 2021-2024, promoveu um encontro com cerca de 30 pessoas com deficiência, dos cinco continentes, tendo recolhido estes contributos no documento ‘A Igreja é a nossa casa’.

“É um sinal muito importante para o resto da Igreja, é um sinal muito importante para o mundo, no sentido de dar dignidade a todos”, observa a diretora do SPPD.

Carmo Diniz apela a superar o “modelo assistencialista”, sustentando “o muito que as pessoas com deficiência têm para ensinar e trazer ao mundo”.

Para a responsável, é importante garantir que a pessoa com deficiência tenha “as condições para se expressar plenamente e não ser descartada”.

“A cultura do descarte, que às vezes vemos com a opção pelo aborto quando se tem consciência da deficiência de uma criança, é uma tristeza para a nossa sociedade, uma pobreza, pensar que essas pessoas podem ser descartadas”, lamentou.

A diretora do SPPD fala ainda de “uma vivência pessoal muito feliz” com a deficiência do seu filho Bernardo.

“Ele traz-nos uma alegria imensa, questões e dificuldades imensas que nos fazem olhar para a vida de outra forma”, relata.

Ângela Roque (Renascença) e Octávio Carmo (Ecclesia)

 

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