Juventude Operária Católica

Em 2012, a taxa de desemprego jovem chegou aos 39%, muitos jovens sentiram a emigração como única solução, outros tiveram de abdicar ou adiar a sua emancipação. Muitas famílias encontram-se neste momento a recorrer a Instituições de Solidariedade Social (e ainda bem que existem) para pagar as contas da água, luz, prestação da casa, etc. Na educação, a reforma do ensino veio pôr ainda mais em causa a qualidade deste, bem como a equidade, tornando mais restrito o acesso aos apoios sociais. A disciplina de “Formação Cívica”, que, se fosse bem lecionada, poderia constituir uma fonte de esperança no que respeita à educação e à formação dos português no âmbito da cidadania (respeitar os deveres e conhecer os direitos), passou a não ser obrigatória nas escolas.

Num momento em que cerca de 300 mil desempregados (46%), inscritos nos centros de emprego, não têm direito a qualquer tipo de subsídio, o que podemos esperar para 2013?

 

Testemunho de uma jovem:

“Dizem que nós, jovens, temos a vida facilitada… Dizem que não temos opinião nem ação. Num encontro de reflexão sobre a Família, em 2012, na minha paróquia, uma jovem disse ter descoberto que existem manuscritos já datados da Grécia Antiga que relatavam a falta de perspetivas dos jovens e capacidade em construir o futuro. A verdade é que mais de 2000 anos passaram entretanto.

Serão os jovens de 2012 capazes de perspetivar 2013? Sim, certamente! O ano 2012 marcou-me particularmente, pelo aumento das condições precárias de trabalho e da emigração forçada. Assisti ao abandono de amigos (e amigos de amigos!) de Portugal, mesmo não o desejando. Neste ano de 2012, conclui a minha licenciatura. Ainda não encontrei trabalho na área, e mesmo fora dela também é muito difícil. Tem sido um saltitar de trabalho em trabalho, ou melhor, de em “à experiência” para em “à experiência”. Toda esta incerteza dificultar-me-ia o vislumbrar de um 2013 com mais dignidade. Contudo, eu só consigo acreditar num futuro promissor para mim e para os que me rodeiam, pois apesar de todas as adversidades económicas e familiares, sempre consegui até hoje levar a cabo todos os projetos aos quais me entreguei. Por isso, acredito que em 2013 vou conseguir criar ou encontrar o meu lugar no mundo de trabalho! Pelo que vejo, Portugal está sedento de mentes positivas, dinâmicas e cheias de esperança. Pessoas que finalmente compreendem que a felicidade não é a meta, mas sim o caminho!

Em 2013, muito possivelmente, o país não irá melhorar economicamente e, infelizmente, mais amigos terão de o abandonar. Mas apesar disto, para 2013, eu já tenho um plano para alterar a minha situação laboral e perspetivo a sociedade civil portuguesa mais consciente e solidária. Como já é tradição, ando com o meu grupo de JOC a cantar as janeiras e noto que o acolhimento das pessoas, porta a porta, está mais caloroso este ano. Assim, para 2013, perspetivo, ou pelo menos desejo muito, famílias mais comunicativas, mais atentas ao seu vizinho e que caminhem lado a lado! Acredito que é assim que os portugueses vão ter a felicidade como um caminho e perceber que assim mudarão o astral da conjuntura económica do país. E tu, no teu trabalho ou situação de desemprego, o que vais fazer?” (Ângela Ferreira, JOC de Aveiro, 23 anos, desempregada.)

 

Como jovens cristãos, sentimos que por mais difíceis que sejam os problemas, não podemos baixar os braços e encontramos esperança em cada cristão, em cada pessoa de bem que está atenta à realidade, que percebe a importância do seu papel e da sua ação e que intervém positivamente, procurando a transformação do seu meio, através da partilha, da amizade, da solidariedade… Podemos não ter a capacidade de mudar o país, mas somos, certamente, capazes de ajudar a melhorar a vida de um vizinho, de um amigo ou até mesmo de um desconhecido que nos bate à porta! Como ouvíamos durante a preparação do Natal, velai, pois, orando continuamente, a fim de terdes força para escapar a tudo o que vai acontecer (Lc 21, 36) e “quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos faça o mesmo” (Lc 3, 11). Que estas palavras sustentem a nossa esperança, em 2013!

Juventude Operária Católica 

Partilhar:
Share