Pentecostes: «Deixem o medo para trás», pediu o bispo do Funchal nos crismas de 94 jovens e adultos

«Aquilo que vão viver daqui a bocadinho é exatamente a mesma coisa que os discípulos viveram» – D. Nuno Brás

Foto: Duarte Gomes; Paróquia dos Prazeres

Funchal, Madeira, 26 mai 2026 (Ecclesia) – O bispo do Funchal crismou 94 jovens e adultos na Solenidade de Pentecostes, e incentivou-os a viverem a fé com autenticidade, este sábado e domingo, dias 23 e 24 de maio, nas Paróquias dos Prazeres, Sé, e do Piquinho.

“Deixem o medo para trás. O Espírito Santo dá-nos todas as razões para percebermos que Jesus está de facto connosco; tomem Jesus a sério, mostrem a todos esta presença que faz a diferença na vossa vida e que pode fazer a diferença na vida de todos os vossos amigos e conhecidos”, disse D. Nuno Brás, nas homilias nas três paróquias madeirenses, citado pelo ‘Jornal da Madeira’.

O bispo do Funchal administrou o sacramento do Crisma a 94 jovens e adultos, pela Solenidade de Pentecostes, que encerrou o tempo litúrgico da Páscoa: na Paróquia dos Prazeres crismou 38 pessoas – 30 jovens e oito adultos; na Sé crismou um grupo de 44 – 19 eram adultos; e na Paróquia do Piquinho foram 12 jovens, este sábado e domingo, dias 23 e 24 de maio.

“Nós corremos o risco de achar que Jesus Cristo é simplesmente alguém inspirador. Hoje diríamos: ‘foi uma pessoa inspiradora’. Fez coisas bonitas, disse coisas bonitas, aquilo que os discípulos nunca tinham imaginado era que a presença de Jesus fosse deste modo concreta. Se a Igreja fosse simplesmente a recordação de um homem que morreu há dois mil anos, já tinha acabado há muitos anos.”

Nas homilias das celebrações, D. Nuno Brás centrou a reflexão na ação do Espírito Santo e na transformação vivida pelos discípulos após a morte de Jesus, relacionando com a vida dos novos crismandos, e fez um apelo à coragem, à autenticidade e à vivência coerente da fé cristã, informa o jornal diocesano.

“Têm medo de falar de Jesus. Têm medo de dizer que são cristãos. Claro que têm. Não é moda: ‘Ah, aquele agora está ali a falar de Jesus, ainda vai para padre’. E se for, qual é o problema?”, referiu o bispo do Funchal.

Segundo D. Nuno Brás, ter “medo de viver como cristãos, ainda é mais grave”, que é serem “diferentes”, porque ser cristão “exige” que sejam diferentes”, e exemplificou com situações concretas da vida dos adolescentes e jovens, como quem não estudou para o “exame de físico-química”, e o remédio é “uma cabulazinha”

“Se eu sou cristão, faço isso? Não faço. Se eu sou cristão, vivo como cristão; se eu sou cristão, jogo futebol como cristão: Passa a bola, não passa o homem! ora, se és cristão, o homem passa também, não vais partir a perna ao homem”, acrescentou o bispo que no  Piquinho abençoou a nova pia batismal e o pão de Pentecostes.

“O que faltava aos discípulos? Faltava-lhes o Espírito Santo. O que é que falta a vocês? Falta o Espírito Santo; É para isso que vem o bispo cá crismar, tem esta missão: dar aos outros cristãos o Espírito Santo”, acrescentou, indicando que estão a perceber “tudo ao contrário” se consideram que antes tinham de “ir à catequese e à missa e que agora, depois do Crisma, já não é preciso”.

A solenidade litúrgica do Pentecostes assinala-se 50 dias depois da Páscoa e evoca a efusão do Espírito Santo sobre os primeiros apóstolos, momento que os católicos assumem como o nascimento público da Igreja.

O bispo do Funchal recordou aos crismandos e às comunidades dos Prazeres, Sé, e do Piquinho, que os discípulos “tinham vivido um momento dramático, a morte de Jesus na cruz”, e estavam com medo, porque se crucificaram Jesus, “a seguir vinham eles”, estavam “cheios de medo, fechados lá na casa”, no cenáculo, um espaço que continua a existir em Jerusalém, onde já celebrou a Eucaristia, “a sala da última ceia, a sala da aparição do Ressuscitado, a sala da descida do Espírito Santo”

“Eis senão quando se dá esta surpresa, quando se dá este milagre. Eis senão quando se dá este Crisma; subitamente fez-se ouvir, vindo do céu, um rumor semelhante a forte rajada de vento: “Imaginem aquela casa toda fechada, toda cheia de medo, e de repente começa ali um vento”, descreveu D. Nuno Brás, cita o ‘Jornal da Madeira’.

O responsável da diocese católica no Arquipélago da Madeira referiu-se à sua vocação e às surpresas que Deus vai realizando na vida das pessoas, da disponibilidade para deixar o Espírito Santo agir: “Alguma vez eu tinha pensado em ser padre? Nunca. Alguma vez tinha pensado que ia ser bispo do Funchal? Claro que não”, como São Francisco de Assis “jamais achou” que ia ser que é, ou “os pais de Santa Teresinha pensaram que iam ser canonizados”.

CB/OC

Partilhar:
Scroll to Top