«O clero acredita, deseja e percebe que esta obra, além de necessária, também nos orgulha e beneficia a todos» – Padre Nuno Santos

Foto Miguel Cotrim/Correio de Coimbra

Coimbra, 21 mai 2020 (Ecclesia) – O reitor do Seminário Maior da Diocese de Coimbra disse que as obras no edifício “significam conservação” e quer que sejam “um bom estímulo” para o que deve ser a “posição” desta instituição “na Igreja”.

“Quero que estas obras no seminário sejam também um bom estímulo para aquilo que deve ser a nossa posição na Igreja, uma pedagogia, sendo o mais transparente possível na comunicação. Por exemplo, indo sempre mostrando as contas, que estão publicadas no site do seminário”, afirmou o padre Nuno Santos em entrevista ao jornal diocesano Correio de Coimbra, enviada hoje à Agência ECCLESIA.

O reitor do Seminário Maior da Diocese de Coimbra – o Seminário da Sagrada Família – explicou que vão ter “informação clara”, e, se houver perguntas, vai responder, porque “as ideias boas não devem estar bloqueadas por questões económicas”.

“Se isto é uma necessidade, e é, não vamos estar toda a vida a dizer ‘quando tivermos dinheiro…’. Tem que haver um momento para se tomar decisões!”, destacou o reitor a respeito de uma obra orçamentada em cinco milhões de euros.

O padre Nuno Santos salienta que “obras significam conservação” e vão estar “todas focadas no edifício central porque não há dinheiro para tudo”, embora o projeto seja global, e o objetivo “é criar condições” com casas de banho em todos os quartos, aquecimento, internet, um elevador, “mudar o telhado todo”, e criar novas condições no piso “-1”, enquanto nos edifícios laterais vão “apenas vamos mudar os telhados”, nesta fase.

“O edifício central está a degradar-se a uma velocidade tal, que não intervir já é perdê-lo paulatinamente”, alertou, explicando que as obras estão orçamentadas em “cinco milhões de euros, já com o equipamento todo”, sendo “quatro milhões e meio alocados à obra física e o resto a equipamento (lâmpadas, mobílias…)”.

Segundo o padre Nuno Santos refere que o seminário, “por si só, nunca irá ser sustentável” e os custos principais – seminaristas e pessoal de trabalho – rondam “os 20.000€ mensais” mas têm estudos de equilíbrio e de superação, “vários estudos, que aliás também nos foram exigidos para o empréstimo”.

Para o reitor do Seminário Maior da Diocese de Coimbra, a instituição para além de ganhar vida “tem que estar preparado para essa vida” e considera, “muito sinceramente”, que há uma “receção muito positiva” da Diocese de Coimbra a estas obras de restauro e conservação, exemplificando que “muitos donativos, e dos mais significativos, têm sido feitos por sacerdotes”.

“O clero acredita, deseja e percebe que esta obra, além de necessária, também nos orgulha e beneficia a todos. E sinto também o apoio do Senhor Bispo. Não tenho nenhuma reação negativa consistente, antes pelo contrário”, acrescentou.

Segundo o padre Nuno Santos “o seminário tem de se perceber no tempo de hoje, que é o seu” e explicou a sua visão para este espaço que dever ser para os seminaristas e padres, para a formação para os ministérios da diocese, para a formação espiritual e encontros pastorais – “o último andar vai ter 44 quar­tos com 90 camas e casas de banho” -, e ser um lugar de cultura.

O sacerdote espera que as obras no Seminário Maior de Coimbra/Seminário da Sagrada Família estejam concluídas “no espaço de ano e meio, dois anos” e adianta que vão começar as obras na igreja e na ala esquerda, do lado da Casa Nova, depois avançam para a cozinha e o resto.

O edifício histórico, “em vias de Classificação como Monumento Nacional”, completou 271 anos do lançamento da primeira pedra e 254 anos da sua abertura, em 2019, e é uma das “mais impressionantes presenças da arte italiana” do século XVIII em Portugal, junto ao jardim botânico de cidade Coimbra.

CB/PR

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