Padre Carlos Azevedo explica que capela e espaço do acolhimento pastoral e espiritual são «um oásis, de um espaço de muito sofrimento»
Lisboa, 20 fev 2026 (Ecclesia) – O capelão do Hospital de Dona Estefânia, o local da “partida da Santa Jacinta para Deus”, a 20 de fevereiro de 1920, destaca, neste dia dos Pastorinhos de Fátima, o seu exemplo, o hospital “escola de amor” e o itinerário espiritual, em Lisboa.
“Valorizamos muito no Francisco o seu silêncio, a criança mais introspetiva, mas que dá um testemunho também fantástico, e, depois, a Jacinta na sua extroversão, que acaba por nos deixar um legado de muitas interpelações nas suas palavras, no seu testemunho, na sua forma racional. É muito interessante”, disse o padre Carlos Azevedo, esta sexta-feira, em entrevista à Agência ECCLESIA.
A Igreja Católica celebra hoje a memória dos Santos Francisco e Jacinta Marto, no dia que a pastorinha vidente de Fátima faleceu em 1920, a 20 de fevereiro, às 22h30 no Hospital de Dona Estefânia, em Lisboa; o seu irmão já tinha falecido no dia 4 de abril, do ano anterior, em 1919.
“Temos festa hoje”, afirma o capelão hospitalar, lembrando que em Lisboa existe um “itinerário espiritual” que acompanha a vida de Santa Jacinta na capital portuguesa, começa pelo orfanato na Estrela, “que hoje é um convento das Irmãs Clarissas”, depois o Hospital de Dona Estefânia, “que é um percurso interior e também com o acolhimento” aos muitos peregrinos que os visitam anualmente, e que são “muitos grupos”.
Segundo o padre Carlos Azevedo, que já publicou um livro sobre as lições da passagem de Santa Jacinta pela Estefânia, “é muito inspirador” a forma como “há muitas coisas que continuam ainda hoje a inspirar muitos daqueles que passam pela Estefânia”, “apesar de não ter tido o desfecho ideal” que era a cura da santa portuguesa.
“E há histórias absolutamente fantásticas, inclusivamente, para muita gente, o espaço da nossa capela e o espaço do acolhimento pastoral e espiritual é um bocadinho do oásis, de um espaço de muito sofrimento”, acrescentou, realçando que a forma como os pastorinhos lidaram “com a doença é isso que acaba por se tornar mais forte”.
“A grande virtude dos pastorinhos, não é só por terem visto Nossa Senhora, mas é, essencialmente, por terem sido valentes, fortes, durante o seu sofrimento, que é reconhecida como a virtude que leva à canonização: A Jacinta é sujeita a uma cirurgia a sangue-frio, no dia 10 de fevereiro de 1920, que implica um corte de costelas, um orifício para retirada de líquido dos pulmões, com ela acordada. No próprio processo aparece o médico que a intervencionou a falar que estava espantada com aquela criança.”

Para o capelão do Dona Estefânia algumas coisas são “muito importantes pela positiva” para quem vai ao hospital hoje por esta ideia de irem “para a luta, e vamos levar esta luta por diante, dando o melhor”, mas também à algumas coisas pela negativa, que foi de a Santa Jacinta que “viveu isto tudo num ambiente de grande solidão”, porque os pais só podiam estar “uma hora com as crianças durante o dia”, e, de 5 a 20 de fevereiro, “acaba por estar sozinha em Lisboa, porque a mãe voltou para Fátima”.
“Tudo isto também acaba por ser um aspeto valorativo daqueles que têm o privilégio de ter os seus pais a acompanhá-los, por exemplo. E é muito chamada a atenção; eu gosto muito de lembrar a todos os pais com que me cruzo na Estefânia, no hospital, que aquele é um espaço de uma grande escola de aprendizagem, não é só de sofrimento, é uma escola de amor”, realçou.
No Programa ECCLESIA desta sexta-feira, 20 de fevereiro, transmitido na RTP2, O padre Carlos Azevedo comentou também a liturgia do próximo domingo, o primeiro da Quaresma, as leituras que vão ser ouvidas nas Missas, e, num paralelismo com o percurso de vida dos pastorinhos de Fátima destacou que “Deus escolhe a simplicidade destas crianças e a sua humildade para confundir aquilo que era a pseudoabundância”.
“Achamos muito curioso que estas crianças vão vivendo, de etapa a etapa, sempre numa segurança, e numa confiança absolutamente fantástica, que faz com que ainda hoje, e quem vive isso semeia uma vida convenientemente, não dá frutos só para agora, continua a dar frutos até à eternidade.”
PR/CB

