«Quem socorre as IPSS?», pergunta o diácono permanente Albino Martins, para quem os aumentos do custo de vida «não são meras estatísticas»
Faro, 14 abr 2026 (Ecclesia) – O responsável na Diocese do Algarve pelos Centros Paroquiais de Cachopo, Martim Longo e Vaqueiros, que assistem 177 utentes na serra algarvia, alertou que estas instituições “resistem, já não apenas com dedicação, mas com uma urgência quase desesperada”.
“Os sucessivos aumentos do preço dos combustíveis, do gás e dos géneros alimentares — impulsionados por conflitos internacionais como a guerra no Irão e outras crises globais — não são meras estatísticas”, assinalou o diácono permanente Albino Martins, sobre “golpes concretos no funcionamento diário” das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), esta segunda-feira, 13 de abril, numa partilha nas redes sociais, citado pelo jornal ‘Folha do Domingo’ da Diocese do Algarve.
Os Centros Paroquiais de Cachopo, Martim Longo e Vaqueiros assistem 177 utentes na ‘desertificada serra do nordeste algarvio’, através das suas diversas valências, e segundo o seu responsável, que pergunta ‘Quem socorre as IPSS?’, garante estas “resistem, já não apenas com dedicação, mas com uma urgência quase desesperada”.
“Cada quilómetro percorrido por uma carrinha de apoio domiciliário pesa mais na conta final. Cada refeição servida custa mais do que ontem. Cada sala aquecida no inverno torna-se um dilema entre o conforto dos utentes e a sobrevivência financeira da instituição.”
Albino Martins acrescenta que é “no interior que esta realidade assume contornos ainda mais dramáticos”, onde a densidade populacional é menor e os recursos económicos “são mais limitados, as IPSS são muitas vezes a única resposta social existente”, e sem alternativas, nem “rede paralela”, quando uma vacila, “toda uma comunidade fica em risco””.
Os Centros Paroquiais de Cachopo, Martim Longo e Vaqueiros percorrem cerca de 7600 quilómetros por semana, na serra da Região Pastoral do Sotavento da diocese algarvia, e segundo o diácono permanente da Diocese do Algarve, as famílias não conseguem também suportar mais encargos, porque “enfrentam uma pressão crescente”, os salários baixos, o envelhecimento populacional, isolamento geográfico, e “custos de vida em alta criam um cenário de desigualdade evidente face ao litoral”.
“Nascer e viver no interior continua a significar ter menos acesso, menos apoio, menos margem para resistir”, assinala o dirigente, observando que os apoios públicos “não acompanham a escalada dos custos, os acordos de cooperação mantêm-se desajustados, e as medidas extraordinárias revelam-se insuficientes perante uma crise que deixou de ser conjuntural para se tornar permanente”.

Para o presidente dos três Centros Paroquiais – Cachopo, Martim Longo e Vaqueiros -, no interior serrano da Diocese do Algarve, “é tempo da sociedade, no seu todo, assumir responsabilidades”, a responsabilidade social das empresas “não pode ser apenas um conceito em relatórios ou campanhas pontuais”, mas tem de traduzir-se em compromisso real.
“Empresas que operam em territórios do interior têm aqui uma oportunidade — e uma obrigação moral — de retribuir, de fortalecer o tecido social que também sustenta a sua atividade; nas nossas áreas de intervenção as empresas são muito poucas e também elas frágeis, o mundo empresarial do litoral também deve olhar para o interior”, explicou Albino Martins, sobre um apoio que é um investimento na “coesão social, dignidade humana e sustentabilidade do país”.
“O interior não pode continuar a ser um eco distante nas decisões nacionais. As IPSS não podem continuar a resistir sozinhas. E a solidariedade não pode ser apenas uma palavra — tem de ser ação, compromisso e responsabilidade partilhada”, conclui o diácono permanente do Algarve, na publicação no seu perfil na rede social Facebook, citada pelo jornal diocesano ‘Folha do Domingo’.
CB/OC
