Arcebispo de Évora escreve aos diocesanos, aos padres, aos diáconos e às comunidades religiosas que desenvolvem a sua missão na arquidiocese

D. Francisco Senra Coelho Foto AE/MC

Évora, 08 abr 2020 (Ecclesia) – O arcebispo de Évora escreveu uma mensagem pascal dirigida “a todo o povo de Deus” e endereçou cartas aos padres, aos diáconos e às comunidade religiosas na arquidiocese, a todos exortando ao exemplo de “amor de Jesus”.

“Boas Festas Pascais a todos os que neste momento estão a trabalhar e a servir a sociedade numa cidadania comprometida e ao mesmo tempo profissional, corresponsável e proativa”, escreve D. Francisco Senra Coelho, numa mensagem enviada à Agência ECCLESIA, lembrando todas as ações que ajudam, no contexto de isolamento social e combate ao Covid-19, quem mais precisa.

Não somos túmulos vazios, mas cada um de nós é Templo onde brilha a Luz do Ressuscitado. Que a Ressurreição aconteça verdadeiramente no íntimo de cada um de nós”.

O arcebispo de Évora lembra “os que trabalham diretamente no combate contra o vírus”, nomeadamente no Hospital do Espírito Santo, em Évora, e no Hospital de Santa Luzia, em Elvas, sublinhando “com apreço” a missão dos “médicos, enfermeiros, a todos os profissionais da área de saúde, aos farmacêuticos e a todos os voluntários hospitalares” e também dos “Soldados da Paz”.

A mensagem pascal lembra ainda as famílias “preocupadas com os seus doentes hospitalizados” e une-se às “famílias que consolam e confortam os que estão de luto”.

“Acompanho-vos com Esperança e na certeza de que a vitória da vida vai acontecer em vós”, afirma.

D. Francisco Senra Coelho quer enaltecer a “Igreja Diocesana, as suas riquezas nos seus Ministérios e nos seus Serviços”, aos que “trabalham na Liturgia” e que este ano “a vão viver no seu íntimo”, mas também os agentes da pastoral social, que “trabalham na Cáritas Arquidiocesana e nas Cáritas Paroquiais, os visitadores de doentes, os membros da pastoral da saúde, os vicentinos, os que acompanham os doentes através do movimento eclesial da Legião de Maria e de outros movimentos e grupos”.

O Ressuscitado está connosco, mas continua crucificado em todos os que sofrem. Por isso, reconhecemos Cristo em quem padece e sofre; encontramo-nos com Ele e abraçamo-l’O com a dádiva da nossa vida, com a nossa generosidade e entrega em quem tem medo, está ansioso, vive angústia, sente-se psicologicamente abatido, experimenta a solidão e está doente”.

Aos padres da arquidiocese, o arcebispo de Évora pede atenção ao que se passa, para que se possa “assumir a proclamação da misericórdia apresentada por Jesus”.

“Um dos sinais pedidos à nossa vida é a comunhão e a compaixão, por isso é urgente e crucial assumir-mos o modo como Jesus se fez presente nos momentos de sofrimento, dor e morte de muitos daqueles com quem se encontrou pessoalmente nas Suas estradas”, sublinhou.

Na impossibilidade de celebrar a Missa Crismal com os sacerdotes, D. Francisco Senra Coelho deseja, através da carta endereçada aos padres, “reforçar a nossa comunhão”.

O arcebispo de Évora pede aos diáconos que sejam “criativos e pastoralmente empenhados”.

“Não reduzais o vosso ministério quase só ao serviço do altar e a mais algumas pontuais celebrações. Que toda a vossa vida seja diaconal e que a vossa missão de servir, alargue horizontes e crie respostas aos desafios sociocaritativos, da pastoral da saúde, dos idosos, dos presidiários, da etnia cigana e muitos imigrantes, como aconteceu com os primeiros sete, em Jerusalém. Não corrais o risco de reduzir o vosso ministério só ao interior dos templos”, enfatiza.

Às comunidades religiosas, “contemplativas no seu silêncio e na sua oração por todos”, D. Senra Coelho pede o “testemunho de vidas atravessadas pela vontade do Pai” e com elas partilha o desejo de que desta quarentena possam surgir sinais vocacionais.

«Afinal o Sinal que estamos a viver, não nos coloca no seu silêncio mil perguntas sobre o sentido da vida? Não nos aponta para a finitude e falência de todos os ídolos humanos e que só Deus é Senhor? Não haverá jovens que venham a perceber que só vale a pena dar a vida por Aquele que não morre, nem é perecível?», questiona.

LS

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