D. António Couto destaca momento de «dor e esperança»

Lamego, 08 abr 2020 (ECCLESIA) – O bispo de Lamego saudou a diocese e o país, na sua mensagem de Páscoa, com um “misto de dor e esperança”, nestes tempos dominados pela pandemia de Covid-19.

“Desejo, a todos os meus irmãos e irmãs, em humanidade, sobretudo aos meus queridos idosos dos lares e aos meus amigos presos, a todos os fragilizados e sem abrigos, a todos os sacerdotes, a todos os lutadores, uma Santa Páscoa de Jesus e com Jesus, particularmente para todos os que habitam neste chão abençoado de Lamego e debaixo desse chão e deste céu abençoado de Lamego”, refere D. António Couto, numa intervenção em vídeo enviada à Agência ECCLESIA.

O responsável católico alude às “notícias dolorosas” que chegam de toda a parte, mostrando-se preocupado com a situação na Diocese de Lamego, sobretudo “nos lares de idosos”.

“Estas notícias dolorosas chegam em massa, não com nomes, mas com números, números sempre a subir, subir”, assinalou.

A intervenção saúda “os médicos, enfermeiros, forças de segurança e humanitárias e voluntários” que “lutam com todas as suas energias para que o barco não fique encalhado no meio desta tempestade”, deixando um “imenso obrigado” aos “indomáveis lutadores”.

Falando sobre o seu próprio isolamento social, o bispo de Lamego salienta que “reza em pouco espaço”, num momento em que “não pode percorrer as 223 paróquias” daquele território.

“Rezo em pouco espaço, mas não em pouco tempo. Comunico a Deus estas vagas que em mim vêm bater todos os dias. Ele conhece os meus resmungos e as minhas raivas, porque nestas condições não posso realizar tanta coisa bela que tinha programado. Mas paro logo a agradecer, porque Ele me faz entrar pelos olhos dentro a maravilha da bondade daqueles jovens, alguns vindos de longe, que se voluntariaram para apoiar um lar de idosos, no espaço da Diocese de Lamego, e em tantos outros lugares”, frisou.

É espantoso como em apenas 15 dias se afundaram as nossas naus e ruíram os nossos sonhos agendados, as nossas viagens, as nossas férias, os nossos trabalhos e as nossas brincadeiras”.

O bispo de Lamego recorda ainda os homens da ciência e da política que “lutam com as armas que têm”, até à exaustão, porque lhes “compete derrotar a doença”.

Não lhes compete derrotar o sofrimento nem a falta de sentido que tolhe os corações dos homens e mulheres de sentido”, assinala.

No meio desta pandemia, e já antes, quando tudo parecia que corria bem, os olhos de todos estão postos nos homens da ciência e da política, nas soluções e nas decisões, não na Igreja; todavia, num instante, num relâmpago, os programas e calculismos racionais deixam ver os seus limites. Não resolvem tudo, não têm respostas para tudo. Não têm respostas quase para nada”.

Para D. António Couto, este momento recorda a “fraternidade nova” ensinada por Jesus, quando mostrou “o Pai”, uma “página que a Igreja – que parece ter fechado o escritório da vida eterna – tem de reaprender outra vez a escrever”.

“Proximidade é responsabilidade, é responder ao apelo do outro, dizendo: aqui estou”, afirmou.

Ao longo da Semana Santa, a ECCLESIA publica mensagens em vídeo dos bispos portugueses, com a colaboração dos serviços diocesanos, a respeito da celebração da Páscoa em tempos de pandemia.

LFS/OC

A Agência Ecclesia agradece às várias dioceses o envio da gravação das mensagens pascais

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