Lígia Silveira, Agência Ecclesia

Costumo dizer ao meu filho que quem tem uma avó (ô) tem tudo e ele, na sabedoria de quatro anos, já me devolveu esta frase. Na realidade, é o que de mais puro sinto ao observar a cumplicidade que tem com quem o mima sem limites.

O meu filho não conheceu os quatro avós: dos que o precederam, sabe que de um herdou o nome e de outra, ainda hoje dorme embrulhado em mantas feitas com o mais puro amor pela sua avó que nos deixou quando ele tinha cinco meses, ainda antes de ele nascer. Muito sonhou ela este neto. E muito o ama.

Os que com ele se alegram pelo crescimento, descobertas e mimos, já muito partilharam: canções antigas e pregões da minha avó, a calma do tempo que elege as brincadeiras como o principal da vida, ou a lição de com 90 anos deitar no chão e brincar apenas porque o neto assim pediu. Não há stresses, não há açucares a mais, não há limites para este amor que rejuvenesce e torna perene o indizível, semeando memórias quando a ausência física se apresentar.

Eu que não convivi com os meus avós, é com alegria que vejo os mimos, a cumplicidade e o desejo de estar juntos. «Quando o vírus passar vou passar dois dias em casa da avó para matar as saudades», ouvi há umas semanas. E que bom que assim é, que assim seja por muito tempo!

Obrigada a todos quantos ajudam os pais, são presença, memória e amor, convite à brincadeira, com todas as folhas e pedras que há no jardim, com sabor a mar salgado a horas tardias, com todos os beijos e abraços que há para dar e cumplicidades que ficarão para a vida toda! As nossas crianças são mais felizes porque têm avós!

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