D. Sebastian Shaw admite sinais positivos, por parte do novo Governo, na defesa das minorias religiosas

Foto: Agência ECCLESIA/HM

Almada, 27 jan 2020 (Ecclesia) – O arcebispo de Lahore, no Paquistão, alertou em entrevista à Agência ECCLESIA para a sucessão de sequestros de adolescentes cristãs ou hindus, duas das principais minorias religiosas no país asiático.

De passagem por Portugal, D. Sebastian Shaw fala de menores de idade que foram “raptadas e violadas”, sendo forçadas a converter-se ao Islão.

A situação foi denunciada ao Governo e a responsáveis religiosos muçulmanos, os quais sublinharam que as conversões forçadas são também proibidas pelo Islão.

“Alguma legislação está a ser produzida para controlar os sequestros e as conversões forçadas. Esperemos que ainda este ano”, indicou o responsável católico.

Entre os casos mais mediáticos está o de Huma Younus, acompanhado a nível internacional pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS).

A jovem foi convocada para prestar declarações no Supremo Tribunal de Karachi no próximo dia 3 de fevereiro, um gesto considerado inédito no Paquistão.

“Há sinais de mudança, agora. O atual Governo está a trabalhar muito para que todas as pessoas tenham um sentimento de pertença e de unidade, de que todos somos paquistaneses”, indica D. Sebastian Shaw.

O arcebispo de Lahore assinala que o “grande problema” do fundamentalista islâmico, com grupos terroristas, está a ser enfrentado pelo poder executivo e o exército.

“Os grupos terroristas estão mais controlados, agora, é um passo importante”, indica.

Segundo o responsável católico, está um curso um diálogo com líderes islâmicos empenhados na construção de uma sociedade mais pacífica, inspirado pelo documento sobre a “Fraternidade Humana” que o Papa Francisco assinou com o Grande Imã de Al-Azhar no mês de fevereiro do ano passado em Abu Dhabi.

O arcebispo da capital da província do Punjab, no leste do Paquistão, espera que estas mudanças tragam mais “paz e justiça social” ao país, respeitando todas as minorias religiosas.

“Nos últimos anos, sofremos muito, muito. Mas estamos a sair dessa situação”, aponta.

O entrevistado falou ainda dos principais desafios para os católicos, num país onde os cristãos são apenas 1,2%.

O nosso principal papel no Paquistão – e penso que em todos os lugares – é trabalhar mais sobre a questão da tolerância. Costumo dizer ao nosso grupo de diálogo inter-religioso, imãs e académicos: vamos passar de nível. Até hoje, era sempre a tolerância, mas penso que não é suficiente, temos de passar de nível, que é o da aceitação”.

D. Sebastian Shaw refere que há um reconhecimento do papel das escolas cristãs do país, pelo seu nível educativo.

“A educação é um elemento social. Nas nossas escolas, mais de 90% dos estudantes são muçulmanos. Essa é também uma forma de promover o diálogo, eles gostam de estudar nas nossas escolas”, espaços mais abertos e “baseados em valores, valores humanos”.

A Igreja Católica empenha-se também na área da saúde e no apoio social, através da Cáritas, que estende a sua atenção às alterações climáticas, para “tornar o Paquistão mais verde”, com gestos como a plantação de 1 milhão de árvores; simbolicamente, um grupo inter-religioso procedeu à plantação de oliveiras.

HM/OC

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