Mãe de Huma Younus apela «à comunidade internacional e aos meios de comunicação social» para que defendam a sua filha, de 14 anos

Lisboa, 21 jan 2020 (Ecclesia) – Os juízes do Supremo Tribunal de Karachi, no Paquistão, convocaram Huma Younus, jovem cristã de 14 anos, que foi sequestrada da sua família e forçada a converter-se ao Islão, para comparecer numa audiência dia 3 de fevereiro.

“Até agora, nenhuma família havia conseguido pedir justiça. Os cristãos são pobres e com pouca educação e não têm os meios necessários para obter assistência legal”, referiu a advogada Tabassum Yousaf.

Na nota enviada hoje à Agência ECCLESIA, o secretariado português da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) informa que a jovem cristã vivia em Zia Colony, em Karachi, quando foi raptada a 10 de outubro de 2019, e forçada a converter-se ao Islão.

A advogada adiantou à AIS que a jovem cristã foi convocada para “assinar uma declaração em que reconheceria ser maior de idade”, no dia 9 de janeiro.

“Estes procedimentos não podem ocorrer na ausência de ambas as partes. Está claro que a polícia está a ajudar o sequestrador”, acrescentou Tabassum Yousaf, sobre uma diligência que o surpreendeu a sia e aos pais de Huma.

A definição formal da idade de Huma vai fazer “toda a diferença perante a lei”, o sequestrador da jovem cristã afirma que ela é maior de idade, sem apresentar documentos, mas os pais de Huma asseguram que nasceu a 22 de maio de 2005 e têm como prova um certificado escolar e o certificado de batismo da paróquia católica de S. Tiago de Karachi.

Segundo a AIS, se Huma Younus comparecer no tribunal pode dar-se “ponto de viragem no seu processo” e, “tudo o indica”, que “será a primeira vez que uma vítima de conversão forçada testemunhará no Supremo Tribunal de Justiça no Paquistão”.

“Apelo à comunidade internacional e aos meios de comunicação social. Peço que ergam as vossas vozes em defesa de Huma. A minha filha de 14 anos…  se vossa filha de 14 anos passasse por tudo isto, o que fariam? Considerem a nossa menina como se fosse vossa filha. Por favor, ajudem-nos!”, referiu a mãe de Huma, através da AIS, num vídeo gravado em frente ao Supremo Tribunal de Karachi.

A fundação pontifícia contextualiza que o seu apoio a esta família cristã no Paquistão, assumindo os custos legais do processo, tem sido considerado “muito relevante” pela situação económica “extremamente débil em que se encontra esta família”, para além da ajuda da Comissão Justiça e Paz do Paquistão.

CB/OC

 

Partilhar:
Share