Ordinariato Castrense: Bispo lembra povos em «sofrimento» e diz que «a misericórdia de Deus não obedece a mapas geopolíticos»

D. Sérgio Dinis presidiu à Eucaristia do Domingo de Páscoa em Mondim de Basto, enfatizando que «a vitória de Cristo é a vitória do bem sobre o mal»

Foto: Ordinariato Castrense

Mondim de Basto, 05 abr 2026 (Ecclesia) – O bispo do Ordinariato Castrense de Portugal lembrou esta manhã os povos em guerra, falando que a nova criação começa ainda no escuro, na Missa de Domingo de Páscoa, em Paradança, Mondim de Basto (Diocese de Vila Real).

“Também nós vivemos nessa hora que ainda está escura. Olhamos para o mundo e vemos a Ucrânia, o Irão, o Líbano … e tantos outros lugares que os noticiários já não mencionam, mas onde o sofrimento continua real”, afirmou D. Sérgio Dinis, na homilia enviada à Agência ECCLESIA.

No dia da festa mais importante para a Igreja Católica, o bispo apontou que hoje assiste-se a “uma retórica que endurece, em que a linguagem da força substitui a do direito, onde o medo se transforma em política, onde a mentira se apresenta como verdade”.

“Mas é precisamente nesta hora que a mensagem pascal ressoa com mais força: o primeiro dia já começou”, destacou.

D. Sérgio Dinis salientou que “a ressurreição não é uma vitória contra alguém”, mas “uma vitória para todos” e voltou a olhar para a situação internacional.

“E, neste mundo partido e estilhaçado — onde a lógica dos blocos divide e o inimigo precisa de ser desumanizado para que a guerra seja possível — esta mensagem é subversiva. A misericórdia de Deus não obedece a mapas geopolíticos”, indicou.

Segundo o bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança, a Páscoa celebra-se porque, “graças ao Senhor ressuscitado, fica definitivamente estabelecido que a razão é mais forte do que a irracionalidade, a verdade mais forte do que a mentira, o amor mais forte do que a morte”.

“A lógica do mundo diz que vence quem tem mais força bruta, mais capacidade de destruição, mais habilidade de manipular a narrativa. A Páscoa diz: não! Não definitivamente. A mentira pode enganar multidões — mas a verdade teima em ressurgir. O ódio pode matar — mas não consegue destruir o amor que o gerou. A violência pode vencer batalhas — mas não vence a guerra última”, realçou.

D. Sérgio Dinis apontou que a “vitória de Cristo é a vitória do bem sobre o mal, da paz sobre a violência, do amor sobre o ódio, da verdade sobre a mentira” e que “já aconteceu”, constituindo-se “o facto mais decisivo da história humana”.

Na homilia, partindo do Salmo, o bispo desafiou todos a não se deixarem “matar por dentro pelo desespero, pelo cinismo, pela resignação ao mal”, mas “a viver e anunciar que o primeiro dia já começou”.

“Que ela, Rainha da Paz, interceda por este mundo partido e estilhaçado e nos ajude a ser, cada dia, artesãos daquela paz que o mundo não pode dar, mas que Cristo nos deixou como herança”, concluiu.

LJ/OC

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