Tradição remonta ao século XIV e espalhou-se pelos cinco continentes

Foto: Município de Alenquer

Alenquer, 23 jul 2020 (Ecclesia) – A vila de Alenquer, no Patriarcado de Lisboa, assume-se como o “berço” das festas do Espírito Santo, ali instituídas pela Rainha Santa Isabel e o seu marido, o rei D. Dinis, em 1321.

Rui Costa, vice-presidente da Câmara Municipal de Alenquer, disse à Agência ECCLESIA que esta “grande manifestação religiosa e popular” se expandiu pelo mundo, através de várias comunidades de emigrantes portugueses.

O entrevistado destaca o trabalho conjunto realizado nos últimos anos para “o engrandecimento deste culto e destas festas”, que já levou à geminação com a cidade de Angra do Heroísmo (ilha Terceira) e ao estabelecimento de um protocolo cultural com o Município de Ponta Delgada (São Miguel).

O projeto passa agora pela constituição de uma “Rede Mundial das Cidades do Espírito Santo”, para criar laços entre as várias comunidades, promovendo projetos “de estudo, de investigação, de partilha” sobre as festas, que sirvam de inspiração para uma transformação da sociedade.

“Uma sociedade mais responsável, que olhe primeiro para o outro”, acrescenta Rui Costa.

Em Alenquer, e após longa interrupção, a recuperação material dos edifícios da antiga Casa do Espírito Santo (Igreja e Arcada), propriedade atual da Santa Casa da Misericórdia local, veio possibilitar a restauração das Festas do Império, em 2007.

O vice-presidente da Câmara Municipal de Alenquer presta homenagem ao “padre José Eduardo Martins”, de Alenquer, já falecido, e o atual cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, no seu papel pela recuperação de um “símbolo da identidade local”.

“As festas renovaram-se, reinventaram-se”, assinala Rui Costa.

Entre a Páscoa e o domingo de Pentecostes, 50 dias depois, a vila de Alenquer transforma-se anualmente, “num movimento fantástico, de um enorme sentido comunitário da população”, envolvendo mais de 1500 voluntários, durante vários meses.

São um momento de grande beleza, de grande manifestação de fé, mas acima de tudo num momento de elevação de valores fundamentais, defendidos já no século XIV pela Rainha Santa: o diálogo, a partilha, a fraternidade”.

Em 2020, Alenquer celebrou as festas do Espírito Santo, “no estrito cumprimento das normas de saúde pública em vigor”, no domingo de Pentecostes, que marcou o regresso da celebração comunitária da Missa.

A autarquia ofereceu a todas as pessoas que estiveram presentes “o pão do Espírito Santo”, simbolicamente.

A sopa de carne, acompanhada pelo pão e pelo vinho, é a base do Bodo das Festas do Império do Divino Espírito Santo de Alenquer.

Ao longo do mês de julho, de segunda a sexta-feira, a Agência ECCLESIA divulga um lugar onde “O Sagrado e as Gentes” se cruza, seja vivência de festas e romarias, na preservação do património ou na divulgação de tradições e culturas religiosas, nomeadamente as que se encontram entre as finalistas às 7 maravilhas da cultura popular.

OC

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