O mundo num Consistório

Bento XVI olha para o futuro e deixa apelos a uma Igreja centrada na Caridade O primeiro Consistório do pontificado de Bento XVI, no qual criou 15 novos Cardeais, fica marcada por uma expressão várias vezes repetida pelo Papa e dirigida ao Colégio Cardinalício: “Conto convosco”. Desde a reunião de trabalho, à porta fechada, na passada quinta-feira, à celebração eucarística deste sábado, ficou claro que o Papa conta com o empenho pastoral dos Cardeais, em todo o mundo, e espera a sua ajuda para abordar temáticas que lhe são mais queridas – como a unidade dos cristãos ou o serviço aos mais pobres. Várias foram as vezes que Bento XVI citou, ao longo destes dias, a sua encíclica “eus caritas est” que se revela, afinal, como um verdadeiro programa de pontificado. O Papa quer uma Igreja centrada na Caridade, em que todos –independentemente do seu grau hierárquico – sejam, acima de tudo, um rosto visível do amor de Cristo, que transforma a humanidade. Este momento de festa ficou marcado pela abordagem a várias temáticas sensíveis (ver notícias relacionadas), desde o Islão à China, passando pelo cisma lefebvriano. Para estas questões, o Papa espera o apoio do “Senado” da Igreja, como foi repetindo, ao sublinhar a ligação entre a missão do sucessor de Pedro e o Colégio Cardinalício. A afirmação de vontade de Bento XVI reforça a ideia de que quererá reforçar a importância dos Cardeais, envolvendo-os, com um papel consultivo, nas escolhas que dizem respeito a toda a Igreja. Este Consistório foi, por isso, o primeiro passo nesse sentido. No Vaticano estiveram, por estes dias, a vida e os problemas da Igreja em todo o mundo. O Papa lançou o seu olhar bem para além da Cúria Romana para fazer opções estratégicas claramente definidas, consagrando a “universalidade de proveniências e missões” dos novos Cardeais. O Consistório fica marcado por uma forte atenção ao desafio que representa, para a Igreja, a Ásia, que passa a contar com três novos Cardeais – enquanto que grandes sedes episcopais do Velho Continente, como Paris e Barcelona continuam à espera -, permitindo confirmar as prioridades e o estilo de governo do pontificado do Papa Ratzinger. A melhoria nas relações com os governos da Venezuela e da Espanha, com um novo Cardeal cada, foi visível nas reacções de altos dirigentes políticos desses países; de Pequim chegam reacções contraditórias em volta do Cardeal Zen; da Europa em ebulição, fica a nota histórica dum primeiro Cardeal esloveno, D. Franc Rodé, reconhecido pelo seu trabalho na reconciliação dos Balcãs. No actual Colégio Cardinalício, a Europa passa a contar com 60 Cardeais eleitores; América Latina – 20; América do Norte – 16; Ásia – 13; África – 9; Oceania – 2. O país com mais Cardeais eleitores continuará a ser a Itália (21), seguido dos EUA (13); Espanha e França (6 cada). Notícias relacionadas • Bento XVI pede aos Cardeais dedicação ao Papa e à Igreja • Dossier China, um desafio • Bento XVI destaca importância dos Cardeais no governo da Igreja • Diálogo com o Islão preocupa os Cardeais • Renúncia dos Bispos poderá passar para os 80 anos

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