Contra um ritmo alucinante que «não deixa viver ou integrar», jovem de 24 anos quer em 2021 «recentrar critérios» na sua vida

Ourém, 19 jan 2021 (Ecclesia) – Beatriz Lisboa está este ano de 2021 a viver uma experiência de vida comunitária na associação Casa Velha – Ecologia e Espiritualidade, em Ourém, onde quer escutar-se, recentrar critérios na sua vida e “contemplar” os seus talentos.

“Neste ano de escuta quis viver bem, porque percebi que precisava de uma pausa e de reaprender. Com a intensidade com que vivia, sentia que não conseguia respeitar o meu ritmo, nem encontrar o espaço para viver bem as inquietações – que são boas, são perguntas que precisam de resposta – e que passam por um processo de crise”, explica à Agência ECCLESIA a jovem de 24 anos, licenciada em Estudos Gerais.

Beatriz Lisboa sentia-se “inquieta” e em Ourém encontrou uma “calma” que a leva a “colocar o valor certo” no que a envolve.

“Tudo me afeta mas nem tudo tem igual peso. A calma que vivo ajuda-me a atribuir o valor certo a cada coisa”, indica.

Neste momento Beatriz Lisboa vive uma semana por mês na Casa Velha para se dedicar, “de forma mais intensiva”, ao estudo do Plano Estratégico que a associação está a desenvolver, e viver em comunidade, “partilhando o quotidiano através das tarefas” e percebendo que “o que se faz, está ligado a tudo na vida”.

“Faz parte da vida comunitária a oração e partilha, que acaba por ser o ponto central; integra todas as dimensões – o que foi a nossa história e poderá ser o nosso futuro”, explica.

Beatriz Lisboa quer que tudo na sua vida, a partir deste momento e no futuro, “nasça da oração”.

Esta opção, assume, “tem custo”, pois nem todos percebem esta decisão, mas afirma estar segura, a “agir em consciência” e, assim, sentir-se “confirmada”: “Ainda sem saber que frutos vou colher, mas só vou servir bem se estiver bem dentro do meu tamanho.”.

A jovem de 24 anos dá conta de uma “preocupação ecológica” que “ressurgiu” na sua vida.

“Tendo passado por um processo de conversão e me encontrar perto da Igreja percebi que se isso existia, deveria juntar-me aos que dentro da Igreja procuram trabalhar e servir ativamente nesse contexto”, explica.

Depois de fazer um retiro, Exercícios Espirituais segundo a espiritualidade inaciana, e se confrontar com a pergunta «Qual é ao certo o meu papel?» surge a possibilidade de colaborar de forma mais próxima na implementação do Plano Estratégico da Casa Velha.

No tempo em que não reside em Ourém, Beatriz Lisboa procura, depois da licenciatura em Estudos Gerais que lhe deu “ferramentas e abriu horizontes”, contemplar os seus talentos, o que a levou a procurar aulas de canto.

“Não podemos querer ser tudo, até porque Deus não me vai pedir para fazer tudo. Quero fazer o que Ele me pedir, sabendo que isso estará dentro do que eu sou, dos meus talentos e da história que fui desenvolvendo”, avança.

O que vive, está certa, passa por um processo de “auto-conhecimento”, e, por isso também, “conhecimento de Deus”.

Sem avançar colheitas em tempo de sementeira, Beatriz Lisboa está certa de que as crises de esgotamento são provocadas por “ritmos que escalam e não deixam nem viver nem integrar”.

“Não estou certa que antes da pandemia criássemos as condições para poder viver em paz. Era um processo de começar e acabar cada dia. Aqui encontro despojamento”, finaliza.

‘Novas conversas’ quer partilhar objetivos e desejos para 2021 de jovens de diversas regiões e latitudes, de segunda a sexta-feira, no sítio online da Agência ECCLESIA e na sua página na rede social Facebook.

LS

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