Governo de Ortega desafiado a «mostrar ao mundo que está ao serviço do seu povo e que respeita a liberdade das pessoas» 

Berlim, 31 jul 2018 (Ecclesia) – A Conferência Episcopal da Alemã (CEA) emitiu um comunicado para se solidarizar com a Igreja Católica na Nicarágua, e pedir o “fim da violência” e da “repressão” naquele país.

No texto, publicado na página online da CEA, os bispos católicos alemães apelam diretamente ao presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, para que “mostre ao mundo que está ao serviço do seu povo e que respeita a liberdade das pessoas”.

A Nicarágua está atualmente mergulhada numa crise política e social, com o Governo a ser acusado de abuso de poder e de estar a implementar um novo regime ditatorial na região.

Um pouco por todo o país, os protestos populares sucedem-se, com um elevado custo humano.

Centenas de pessoas já perderam a vida, e muitas outras ficaram feridas, devido à ação das forças militares governamentais.

No meio deste conflito, a Igreja Católica tem procurado servir como mediadora entre as partes, para favorecer a paz e a democracia, mas também não tem escapado à onda de violência.

Vários representantes católicos, bispos e sacerdotes, foram alvo de agressões e apelidados de ‘golpistas’; também diversos locais de culto têm sido profanados pelos apoiantes do Governo de Daniel Ortega.

Na missiva agora emitida, e que acompanha várias outras mensagens já publicadas, por responsáveis católicos um pouco por todo mundo, contra a violência na Nicarágua, os bispos alemães frisam que toda a comunidade internacional tem “os olhos postos” naquele país da América Central.

“Quase todos os dias recebemos notícias sobre a crescente violência na Nicarágua, onde aqueles que se manifestam pacificamente são presos, maltratados ou assassinados. Um pouco por todo o país, assistimos a abusos contra os princípios democráticos básicos e contra os direitos humanos fundamentais”, pode ler-se.

O documento é assinado pelo presidente da CEA, o cardeal Reinhard Marx, que pede ao presidente Daniel Ortega que “faça tudo o que estiver ao seu alcance” para acabar com este clima de autêntica guerra civil, que “tem espalhado a morte ao longo das estradas”, e para a “libertação dos presos políticos injustamente detidos”.

“Por favor, dê um sinal de paz e retome o caminho do diálogo nacional”, exorta o também arcebispo de Munique e Freising, que recorda a Ortega o seu próprio percurso político, em particular a forma como contribuiu para colocar um ponto final no regime ditatorial imposto pela família Somoza, naquela que ficou conhecida como a Revolução Sandinista.

“Há 39 anos o senhor participou da luta contra o regime de Somoza para acabar com a opressão do povo da Nicarágua. Ora, este povo quer continuar a viver em paz e em liberdade, acompanhado pela Igreja Católica, que está ao seu lado”, aponta D. Reinhard Marx.

O governo de Ortega tem explicado a sua posição de força como uma forma de lutar contra aquilo que classificam como “terrorismo”.

Algo que, para os bispos católicos alemães, apenas vem “agravar ainda mais esta crise política”.

JCP

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