Missionários na região confirmam vaga de assassinatos e sequestros

Foto: Fundação AIS

Lisboa, 27 mai 2022 (Ecclesia) – A fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) alertou hoje para uma vaga de “incidentes graves” na Província de Cabo Delgado, norte de Moçambique, com “a decapitação de pessoas, casas queimadas e um rasto preocupante de destruição”.

“O grupo terrorista Estado Islâmico, que tem reivindicado nos últimos anos ataques na região de Cabo Delgado, parece estar a reorganizar-se localmente, passando a referir-se a si próprio como ‘Wilayah Moçambique’, ou ‘Província de Moçambique’”, adverte uma nota enviada hoje à Agência ECCLESIA

O distrito de Macomia surge como o “centro das operações terroristas”, com incidentes reportados nas localidades de Nkoe, Nova Zambézia, Nguia e Chicomo, nos dias 20 e 21 de maio.

As informações foram confirmadas à Fundação AIS por diversos missionários presentes na região, cuja identidade é mantida sob anonimato por motivos de segurança, sublinhando que “os ataques tiveram uma expressão maior do que as autoridades pretendem fazer crer”.

“Não foram só civis que foram decapitados, mas também militares, isso o governo não permite divulgar e por isso nós temos uma dificuldade enorme em obter informações mais precisas”, refere um dos sacerdotes citados pela AIS.

Em fevereiro, a Fundação AIS alertava para uma nova vaga de ataques terroristas no norte de Moçambique.

Uma religiosa presente na região testemunhava “o rapto sistemático de pessoas que se encontram nas aldeias e nas machambas, principalmente mulheres e mães com suas próprias crianças”.

Os ataques armados no norte de Moçambique começaram em outubro de 2017, e provocaram mais de três mil mortes e cerca de 800 mil deslocados internos.

OC

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