Religiosas descrevem «situação preocupante» em Cabo Delgado e temem que jihadistas controlem a província

Lisboa, 29 jun 2020 (Ecclesia) – A fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) denunciou um ataque na localidade moçambicana de Mocímboa da Praia, na província de Cabo Delgado, que levou à fuga da população, em “pânico”.

Os relatos recolhidos pela AIS apontam para “confrontos violentos” entre exército e os grupos terroristas que atuam na região do norte de Moçambique.

“Este confronto é considerado como o mais significativo em Cabo Delgado desde a ocupação pelos grupos armados, que se afirmam ligados ao Daesh, o Estado Islâmico, da vila de Mocímboa da Praia entre os dias 28 e 30 de maio”, indica um comunicado enviado à Agência ECCLESIA.

Horas antes deste ataque ter ocorrido, a irmã Graça António Guitate e a irmã Joaquina Tarse, ambas pertencentes à Congregação das Filhas do Imaculado Coração de Maria, descreviam em mensagens enviadas à Fundação AIS um ambiente de “caos” na região de Pemba, para onde se têm dirigido milhares de pessoas por causa dos ataques dos jihadistas.

“Os ataques têm sido algo cada vez piores aqui na nossa província, e os missionários nessa zona norte, nomeadamente de Palma, Mocímboa da Praia, Nangade, Mueda, Muidumbe, Macomia, Meluco, Quisanga e Ibo já abandonaram as missões”, assinalam as religiosas.

A situação de violência em Cabo Delgado, que já provocou centenas de mortos e mais de 200 mil deslocados, foi um dos temas principais da reunião da Conferência Episcopal de Moçambique entre os dias 9 e 13 de junho.

Os bispos católicos falaram em “atrocidades” e em “atos de verdadeira barbárie”, pedindo “uma resposta urgente a esta tragédia”.

OC

Moçambique: Bispo denuncia situação «cada vez mais dramática» em Cabo Delgado

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