Programa 70X7 mostra a esperança, o desespero e o desafio de conversão a uma nova realidade

Lisboa, 29 jun 2020 (Ecclesia) – O impacto da pandemia de Covid-19 em Portugal, com consequências sociais e económicas, esteve no centro da mais recente edição do programa ‘70×7’ (RTP2), mostrando um país que se esforça por recomeçar num contexto de incerteza.

Artur Morão, investigador do Centro de Estudos de Filosofia da Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa (UCP), destacou “a morte contada” como uma das marcas destes tempos.

Para o docente da UCP, as imagens da tragédia verificada nalguns países, “devolveram a realidade da morte a uma sociedade que a tinha ocultado por comodidade”.

“Esta ocorrência obriga-nos a encarar este desfecho das nossas vidas como circunstância à qual nós resistimos, mas à qual não podemos fugir”, acrescenta.

Esta situação nova que leva a “olhar a morte” pode gerar “uma nova atitude perante a vida e a capacidade de retirar dela mais prazer”, defende Artur Morão.

Ricardo Zózimo, economista, acredita que economia assente no valor vai evoluir para uma economia de impacto.

“O futuro vai promover a capacidade de adaptação e uma economia centrada nas necessidades reais das pessoas”, sublinha o professor da Nova School of Business & Economics.

A crise sente-se em particular em localidades que vivem da atividade turística, como Óbidos onde os três milhões de visitantes anuais que a vila recebia impulsionaram o crescimento de uma oferta que agora se vê sem clientes.

Carlos Ribeiro, que tem uma empresa com quatro lojas, reconhece que “o turismo nacional é insuficiente para alimentar a capacidade instalada” e são mesmo necessários os turistas que chegavam de outros continentes e culturas.

Uma realidade social que a Câmara Municipal está a tentar responder com a criação de incentivos aos visitantes.

José Pereira, vice-presidente da Câmara Municipal de Óbidos, destaca os vouchers no valor de 15 euros que estão a ser oferecidos a quem chega para que os possa gastar no comércio local.

Em marcha está também um programa de auxílio alimentar para aqueles que viram os seus rendimentos reduzidos pela pandemia.

Esta urgência social é agora o campo para a intervenção pastoral e humana do padre Ricardo Figueiredo.

A completar cinco anos de sacerdócio, reconhece que “situações destas não vêm nos livros de teologia” e que o seu dever é estar junto das pessoas e atento às suas necessidades.

Catarina Ribeiro, comerciante na vila medieval, também luta contra o vazio de turistas e reconhece o apoio do pároco local.

“Passa todos os dias para conversar e é o meu apoio psicológico nestes dias difíceis”, relata.

HM/OC

 

 

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