Situação de Cabo Delgado vai ser debatida no Parlamento Europeu

Lisboa, 06 jul 2020 (Ecclesia) – A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) alertou para os ataques de grupos armados na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique, que recentemente destruíram a igreja de Mocímboa da Praia.

“Os ‘insurgentes’, como os terroristas são conhecidos localmente, juntaram todos os bancos, empilharam-nos como se fossem lenha, e atearam fogo”, explica o secretariado português da AIS, sobre o ataque à vila de Mocímboa da Praia, na província de Cabo Delgado.

Na informação enviada à Agência ECCLESIA, a fundação pontifícia revela que a violência destrutiva dos jihadistas “levou à fuga da população para as matas” e a intervenção do Exército moçambicano impediu uma destruição maior, mas “há relatos de que os grupos armados continuam na zona, e terão mesmo voltado a atacar alguns bairros de Mocímboa da Praia”, na última sexta-feira.

O secretariado português da AIS explica que, agora, uma semana depois, “começam a surgir os primeiros relatos sobre a destruição causada pelos grupos jihadistas” nos dias 27 e 28 de junho.

Para além da destruição da igreja de Mocímboa da Praia há fotografias que mostram a “destruição absoluta de outros edifícios”, como a Escola Secundária Januário Pedro ou o Hospital Distrital, exemplos do que aconteceu “praticamente em toda a vila.

Mocímboa da Praia é capital distrital e tem cerca de 20 mil habitantes já foi por mais do que uma vez local da “violência brutal” dos grupos jihadistas que reivindicam pertencer ao Daesh, o autoproclamado Estado Islâmico.

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre recorda que no dia 23 de março, a vila foi ocupada pelos “insurgentes” que “hastearam bandeiras negras dos jihadistas” e queimaram alguns edifícios, libertaram os presos da prisão local e chegaram a patrulhar as ruas.

A situação de violência em Cabo Delgado, que já provocou centenas de mortos e mais de 200 mil deslocados, foi um dos temas principais da reunião da Conferência Episcopal de Moçambique, entre os dias 9 e 13 de junho, que falaram em “atrocidades” e em “atos de verdadeira barbárie”, pedindo “uma resposta urgente a esta tragédia”.

A AIS adianta que Parlamento Europeu discute hoje, em reunião extraordinária do Comité das Relações Exteriores, a questão da violência na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique.

A reunião irá servir para o representante da União Europeia em Moçambique explicar que medidas estão a ser planeadas no auxílio a este país africano que enfrenta uma grave crise humanitária na sequência de constantes ataques violentos por grupos terroristas que se afirmam afiliados no Daesh, o Estado Islâmico.

CB/OC

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