«São mais de um milhão as pessoas deslocadas e mais de seis mil as que foram mortas, muitas delas assassinadas por decapitação», referem organismos católicos

Lisboa, 07 jul 2026 (Ecclesia) – Um grupo de Comissões Justiça e Paz da Igreja Católica em Portugal alertaram hoje para a tragédia em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, denunciando a falta de proteção das populações.
“Não queremos que essa situação caia no esquecimento ou na indiferença, ou que a ela nos resignemos, como se de uma inevitável fatalidade se tratasse”, advertiram os signatários, em nota enviada à Agência ECCLESIA.
O documento conjunto recorda que a crise de segurança já provocou “mais de um milhão as pessoas deslocadas e mais de seis mil as que foram mortas, muitas delas assassinadas por decapitação”.
Os subscritores contabilizam cerca de 120 igrejas e capelas destruídas, apontando o dedo a uma “ideologia radical que invoca o islamismo e que atinge em particular os cristãos”.
A declaração adverte que os habitantes locais sofrem também “com abusos de membros das forças militares governamentais que não são fiéis à sua missão de proteção”.
A população de Cabo Delgado pouco tem beneficiado com os investimentos das empresas multinacionais que exploram as riquezas da região e verifica-se que a salvaguarda da segurança desses investimentos parece ser privilegiada em relação à proteção dessa população.”
A Comissão Nacional Justiça e Paz, juntamente com a congénere dos Institutos Religiosos e 12 organismos diocesanos, exige a intervenção urgente das instâncias políticas moçambicanas, portuguesas e europeias para que “coloquem o bem do povo de Cabo Delgado acima de quaisquer interesses políticos ou económicos”.
A nota sublinha que o extremismo religioso alicia adolescentes empurrados para a insurgência devido à “ausência de perspetivas de futuro em contextos de pobreza e desemprego”.
Para travar a radicalização, as comissões apelam à colaboração com as comunidades muçulmanas, frisando que estas rejeitam a violência como uma “deturpação do Islão”.
O texto, motivado por um relato de D. António Juliasse, bispo de Pemba, elogia a resiliência dos católicos, comparando-a à perseverança da “Igreja dos mártires dos primeiros tempos do cristianismo”.
A Conferência Episcopal de Moçambique tinha apelado, no passado mês de maio, ao fim da intolerância armada na província do norte do país.
A região de Cabo Delgado enfrenta ataques recorrentes contra civis e infraestruturas vitais desde o ano de 2017.
OC
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