Organismo da Igreja Católica lamenta falta de atenção para a crise em Cabo Delgado

Lisboa, 03 dez 2020 (Ecclesia) – A Comissão Nacional Justiça e Paz (CNJP), da Igreja Católica em Portugal, lançou hoje um apelo em favor da população de Cabo Delgado, em Moçambique, pedindo o apoio dos portugueses e dos organismos internacionais.

“O nosso apelo dirige-se aos governos de Moçambique e de Portugal, à União Europeia e às Nações Unidas: que se encontrem as formas mais adequadas de defesa das populações vítimas destes ataques”, refere o organismo laical, em texto enviado à Agência ECCLESIA.

A nota convida a população portuguesa a enviar “urgente ajuda humanitária em favor dessas populações”, na medida das suas possibilidades, recordando, a este respeito, as campanhas organizadas pela Cáritas Portuguesa e pela Fundação Ajuda à Igreja que Sofre.

A CNJP une-se a todos os que têm alertado para “a dramática situação que vive hoje o povo de Cabo Delgado, a que ninguém pode ficar indiferente”.

O documento lembra, a este respeito, a declaração de solidariedade da Conferência Episcopal Portuguesa para com a Diocese de Pemba, a 14 de novembro, após os episódios de violência que se verificaram na província de Cabo Delgado.

“A situação da Diocese de Pemba esteve presente nas preocupações e na oração desta Assembleia, que lhe expressa a sua solidariedade e apela ao governo de Moçambique e às instituições internacionais para a devida solução dos seus graves problemas”, referia o comunicado conclusivo da reunião dos bispos católicos, que decorreu em Fátima.

A CNJP lamenta a falta de atenção mediática para um “drama desta amplitude”.

“Assistimos a muitas e fortes reações de indignação sempre que atentados terroristas atingem a Europa. Os atentados que hoje atingem esta região do norte de Moçambique são de uma gravidade extrema, equivalente à dos atentados terroristas que têm atingido a Europa multiplicada por cem ou por mil. Mas não têm recebido uma atenção sequer comparável a estes”, indica o organismo católico.

Segundo a nota, há mais de 2 mil mortos e 500 mil deslocados na província de Cabo Delgado, por causa dos ataques levados a cabo em nome do “autoproclamado Estado Islâmico”.

“Há notícia de destruição sistemática de habitações e estruturas missionárias de apoio à população. São descritas atrocidades das mais chocantes”, pode ler-se.

Segundo a CNJP, “não está em causa a divisão entre cristãos e muçulmanos, mas entre uma ideologia bárbara e mortífera e o povo inocente e pacífico”.

O apelo refere-se ainda ao facto de a região de Cabo Delgado ser rica em gás natural e pedras preciosas, “o que a torna alvo de uma cobiça que despreza do direito do povo moçambicano a beneficiar desses recursos”.

“Que o grito do povo de Cabo Delgado seja ouvido e não se depare com a indiferença”, conclui a nota.

OC

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