D. Diamantino Antunes aborda processos de canonização de mártires da Guerra Civil

Lisboa, 10 mai 2021 (Ecclesia) – O bispo de Tete, em Moçambique, alertou para os problemas que persistem em todo o país africano, para lá da crise em Cabo Delgado, por causa do impacto de calamidades naturais e da instabilidade política.

“Os problemas em Cabo Delgado colocaram Moçambique nos meios de comunicação social, mas os problemas são mais variados devido às calamidades naturais, instabilidade política, militar e pandemia”, disse D. Diamantino Antunes à Agência ECCLESIA.

Em relação à violência em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, D. Diamantino Antunes refere que os bispos sempre estiveram preocupados com os acontecimentos, mas “nem sempre foram escutados e, por vezes, a Igreja foi acusada de alarmista e chamada de profeta da desgraça”.

Mesmo antes do assunto estar na ordem do dia, os missionários sentiram o pulsar da violência com “um certo radicalismo de alguns jovens”, acrescentou o bispo de Tete.

Inicialmente, a violência “parecia espontânea” e “sem grande organização”, mas foi “progredindo, e hoje controlam uma parte significativa da Província de Cabo Delgado”.

Para o missionário português, a estratégia está “bem delineada” e os insurgentes “têm armamento bem moderno”.

A violência provocou mais de 2 mil mortes e cerca de 700 mil descolados, 20% da população da Província de Cabo Delgado.

Segundo o missionário português, a pandemia de Covid-19 em Moçambique “não teve as proporções da Europa”, mas são notórias as “repercussões na vida social, económica e pastoral”.

“Em junho de 2020, a Diocese de Tete colocou em funcionamento a rádio diocesana ‘Canoa’, que quer ser um meio de informação e formação sobre esta doença”, disse, na entrevista emitida hoje no Programa ECCLESIA (RTP 2).

Em relação à Diocese de Tete, D. Diamantino Antunes, fala da importância de apresentar a toda a Igreja vários exemplos de “heroicidade de vida”, como o padre Sílvio Moreira, português, e o padre João de Deus, moçambicano, “modelos de santidade”

“Dois exemplos de fé e coragem, num contexto de guerra civil, porque estes jesuítas permaneceram entre o povo como o bom pastor”, aponta.

O padre Sílvio Moreira, português, e o padre João de Deus, moçambicano, foram assassinados em 1985 na missão de Chapotera, em Moçambique, por serem testemunhas das atrocidades da guerra

“O crime não teve motivações religiosas, mas o martírio não é só o ódio à fé, mas também às virtudes ligadas à fé, como a justiça ou a caridade”, indica o bispo de Tete.

O religioso confia na canonização dos “Mártires de Guiúa”, um grupo de mais de 20 catequistas e seus familiares assassinados a 22 de março de 1992.

Em causa está o assassinato de homens, mulheres e crianças na Diocese de Inhambane, em Moçambique, quando se encontravam no Centro Catequético do Guiúa para participar num curso de formação de longa duração para famílias de catequistas; ali, foram sequestrados por homens armados e “barbaramente assassinados”.

“Ficamos convencidos que são mártires”, referiu o responsável católico, que foi o primeiro postulador da causa de canonização – após a nomeação episcopal, em 2019, passou a ser vice-postulador.

HM/LFS/OC

 

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