Bispo de Tete acompanha causa inédita na história do país lusófono

Lisboa, 24 fev 2020 (Ecclesia) – O missionário português D. Diamantino Antunes, bispo de Tete, em Moçambique, disse à Agência ECCLESIA que confia na canonização dos “Mártires de Guiúa”, um grupo de mais de 20 catequistas e seus familiares assassinados a 22 de março de 1992.

“Ficamos convencidos que são mártires”, referiu o responsável católico, que foi o primeiro postulador da causa de canonização – após a nomeação episcopal, em 2019, passou a ser vice-postulador.

Em causa está o assassinato de homens, mulheres e crianças na Diocese de Inhambane, em Moçambique, quando se encontravam no Centro Catequético do Guiúa para participar num curso de formação de longa duração para famílias de catequistas; ali, foram sequestrados por homens armados e “barbaramente assassinados”.

D. Diamantino Antunes sublinha que este local era um “epicentro de guerra”, num momento em que se mantinham negociações de paz, com o envolvimento ativo da Igreja Católica.

“Sem dúvida que há uma motivação religiosa”, precisa.

O processo diocesano foi encerrado a 22 de março de 2019, após a recolha de testemunhos diretos que confirmaram a “fama de martírio”, estando agora a causa nas mãos da Santa Sé.

“Aceitaram com espírito de fé o seu sacrifício”, indica o missionário português, que vê nestes mártires um exemplo, pelo seu “serviço de doação, de entrega a Deus num momento muito difícil”

D. Diamantino Antunes, religioso do Instituto Missionário da Consolata, foi nomeado pelo Papa Francisco, a 22 de março de 2019, como novo bispo da Diocese de Tete, um território maior do que Portugal.

O responsável considera-se um bispo “missionário”, apaixonado por Moçambique, e refere que neste primeiro ano uma grandes preocupações foram as consequências das cheias, após a passagem do Idai, com “dezenas” de mortes e elevados danos materiais.

“Foi mais difícil obter ajudas, mas houve, sobretudo por parte da Igreja”, incluindo um apoio da Diocese do Porto, no valor de 30 mil euros, relata.

A ajuda serviu, sobretudo, para a reconstrução de casas particulares e de capelas que desabaram, nas enxurradas.

O bispo de Tete sublinha que, a períodos de seca, se seguem chuvas muito intensas, colocando as populações “em situação de grande dificuldade”

“Estamos a sofrer as consequências das mudanças climáticas”, lamenta.

Também a violência na província de Cabo Delgado é “uma situação que preocupa”.

D. Diamantino Antunes é natural de Albergaria dos Doze, em Leiria; tem licenciatura em Filosofia pela Universidade Católica Portuguesa, e doutoramento em Teologia Dogmática pela Universidade Gregoriana, em Roma.

PR/OC

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