IMAG e ANIMAG promoveram ciclo de encontros digitais com ampla participação. Presidente da Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização pede que se acabe com «autoreferencialidade» e «clericalismo»

Lisboa, 31 out 2020 (Ecclesia) – Os Institutos Missionários Ad Gentes (IMAG) vão organizar mais uma conferência no ciclo dedicado ao Outubro Missionário, com o tema «A falta que um rosto faz…», marcada para 5 novembro, onde vão juntar diversos testemunhos de missão.

“A intenção é colocar os rostos em frente uns dos outros, em partilha missionária, dando o seu contributo para a reflexão. O programa será estruturado em trabalho de grupos e plenário, onde serão apresentados alguns pontos concretos pertinentes para a «imaginação do possível» nestes tempos de pandemia”, apresenta um comunicado enviado à Agência ECCLESIA, pelos IMAG e pelos animadores dos IMAG.

Ao longo de outubro os missionários assinalaram este mês missionário com um ciclo de conferências onde diferentes convidados foram desenvolvendo a sua reflexão em tono do tema do rosto, que a pandemia do Covid-19 veio a desafiar encarar de forma diferente.

D. António Couto abriu o ciclo com uma reflexão em torno de «De “eu” para “eis-me”».

“D. António Couto refletiu sobre a responsabilidade pelo outro, os rostos dos outros como autênticas lições de humanidade. Um rosto suplicante, lacrimejante, pleno de existência, que leva a agir, a ter consciência de que a missão é «a Igreja a fazer-se» e a dizer, convictamente, «eis-me aqui, ao teu serviço»”, indica o comunicado.

A segunda conferência, com a autora e encenadora Matilde Trocado como convidada, indicou o “mundo das «expressões da proximidade» da arte”, levando os participantes a “um encontro com o inexplicável sublime, uma forma de tocar o transcendente e um véu através do qual temos um vislumbre do rosto de Deus”.

Rita Valadas, licenciada em Política Social, foi a terceira convidada do ciclo, desafiou às relações criadas entre “o outro” e “eu”.

“Colocou «o outro diante de mim», em género de jogo de espelhos entre «eu», o «outro» e «nós». Rostos interpeladores, que remetem para a obra que cada um representa. A simbiose do cuidador com o outro, que se torna, ele próprio, meu cuidador; o encontro com o rosto do outro que gera relação: o outro diante de mim que se transforma em «nós»”, indica.

Juan Ambrósio, docente da Faculdade de Teologia na Universidade Católica Portuguesa, convidou os participantes a “«desmascarar a missão»”, desafiando a “tirar a máscara para buscar traços que caracterizem a missão” dos tempos atuais.

“A descoberta da cor dos olhos de Deus a partir do encontro com os olhos do outro. Será aí que se experimenta a Igreja na sua relação com missão e comunhão, observando o centro a partir da periferia e conscientes de que a nossa resposta deverá ser um verdadeiro e desmascarado «eis-me aqui, envia-me» (Is 6,8)”, indica o comunicado.

O ciclo encerrou na última quinta-feira com a reflexão de D. José Tolentino Mendonça que indicou que a pandemia é terra de missão.

D. Armando Esteves Domingues, presidente da Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização, afirmou na quinta conferencia do ciclo a importância de “mudar o estilo” de missão, “converter o Evangelho em migalhas, mostrando-o como exemplos, correr com clericalismos e auto referencialidade”.

“Gostaria de uma evangelização feita com todos e para todos. Temos demasiados especialistas que afugentam quem sabe pouco, os que não fazem nada, os que não encontram lugar na Igreja para se envolver no apostolado, portanto gostaria que fosse uma missão com todos e para todos”, afirmou o também bispo auxiliar do Porto.

LS

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