Felizes na santidade

Nesta Solenidade de Todos os Santos, escutámos o Evangelho das Bem-aventuranças, em contra-corrente com a habitual lógica do mundo, segundo a qual ser pobre, suportar as provas chorando ou as privações pela fome e sede de justiça, ser perseguido, ser partidário da paz, da reconciliação e da misericórdia, num mundo de violência e de lucro… aparece como não rentável, votado ao fracasso.

Cristo proclama felizes todos aqueles que o mundo despreza e considera como mortos, consola-os, alimenta-os, chama-os filhos de Deus, introdu-los no Reino e na Terra Prometida. A Solenidade de Todos os Santos abre-nos o espírito e o coração às consequências da Ressurreição.

A festa anual de Todos os Santos reúne inúmeros rostos que trazem em si a imagem e a semelhança de Deus, rostos de humanidade transfigurada, rostos com traços de Cristo.

Contrariamente àquilo que geralmente aparece nas imagens ditas piedosas e nas biografias embelezadas dos santos canonizados, tinham fraquezas e defeitos contra os quais se bateram com esforço durante toda a vida. Alguns, como Sato Agostinho, vieram de longe, transfigurados pelo amor de Deus que acolheram na sua existência. Quanto mais se aproximaram da luz de Deus, tanto mais viram e reconheceram as sombras da sua existência.

Peregrinos do quotidiano, a maior parte dos santos não realizaram feitos heróicos nem cumpriram prodígios. É certo que alguns têm à sua conta realizações espectaculares, no plano humanitário, no plano espiritual, na história da Igreja. Mas muitos outros, a maioria, são os santos da simplicidade e do quotidiano, os santos ao pé da porta!

Viver as Bem-aventuranças não é evidente: ser pobre de coração num mundo que glorifica o poder e o ter; ser suave num mundo duro e violento; ter o coração puro face à corrupção; fazer a paz quando outros declaram a guerra…

Como Jesus, os santos tiveram que viver muitas vezes em sentido contrário às ideias recebidas e aos comportamentos do seu tempo. Foram pessoas ativas, apaixonadas pelo Evangelho, homens e mulheres corajosos, capazes de reagir e de afirmar a todo o custo aquilo que os fazia viver. Eles mostram-nos o caminho da verdade e da liberdade.

Frequentar os santos, estar junto deles torna-nos pessoas melhores. O seu exemplo ilumina. A sua alegria é o seu testemunho mais belo. A sua felicidade é contagiosa.

Sigamos o apelo do Papa Francisco na exortação apostólica “Alegrai-vos e exultai”: “não tenhas medo da santidade, de apontar para mais alto, de te deixares amar e libertar por Deus. A santidade não te torna menos humano, porque é o encontro da tua fragilidade com a força da graça. No fundo, na vida existe apenas uma tristeza: a de não ser santo”.

Seguindo o exemplo dos santos, procuremos ser igualmente felizes na santidade.

Manuel Barbosa, scj
www.dehonianos.org

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