«Uma pátria muito pacífica onde se pode caminhar pela rua sem preocupações», afirma Gabriel dos Santos

Lisboa, 25 set 2020 (Ecclesia) – Gabriel dos Santos, jovem venezuelano, chegou a Portugal há quase dois anos para estudar e disse à Agência ECCLESIA que neste país encontrou a “verdadeira paz”.

“Portugal é o pais com mais abertura para os estrangeiros em questões de documentação, um país onde trabalham muitos estrangeiros e isso fala da abertura dos portugueses, têm um coração que acolhe o estrangeiro e é uma pátria muito pacífica onde se pode caminhar pela rua sem preocupações, calma e segurança, e isso não era possível na Venezuela”, explica em declarações à Agência ECCLESIA.

Gabriel dos Santos, jovem luso descendente, estudava no seminário de Maracay, sua cidade natal, na Venezuela, quando em 2017, no centenário das aparições de Fátima, integrou uma equipa especial. 

“Integrei a comitiva de luso descendentes que levaram a Imagem Peregrina à Venezuela e levou consigo uma mensagem de paz e esperança”, recorda.

O jovem veio a Portugal, na altura, e só não ficou porque “ainda não tinha dupla nacionalidade” o que se veio a concretizar, há quase dois anos quando veio “incardinado na diocese de Aveiro”, de onde era natural o seu avô, e prosseguiu os estudos no seminário dos Olivais, em Lisboa. 

Foto: Gabriel Santos na sua paróquia em Maracay, Venezuela

No âmbito do dia mundial do Migrante e do Refugiado, que a Igreja Católica assinala no dia 27 de setembro, Gabriel dos Santos lembra o “feliz acolhimento em Portugal” mas fala da difícil realidade da Venezuela, onde estão os seus pais e tantos amigos.

“Afeta-me o que estão a passar os meus familiares, nunca pensei, nenhum de nós, venezuelanos pensámos que ia chegar ao ponto que o país está a passar, situação caótica, não é o pais que deixei há quase dois anos, há pessoas que querem sair, fugir à crise, mas estão fechados os aeroportos, viagens canceladas por causa da pandemia mas também não há esforço por parte do governo para resolver esta situação”, admite.

Gabriel dos Santos recorda que “não é fácil deixar a pátria” que sempre foi ensinado a amar, mas foi uma necessidade “fugir para procurar paz”. 

Num ano de interregno nos estudos, o jovem integra o “Caminho Neocatecumenal que o ajuda na vivência da fé” e dá um passo no mundo do trabalho, em Portugal. 

“Vou trabalhar num lar e é uma obra de caridade que farei com muito gosto e a providência divina disponibilizou tudo e este país que me acolheu”, reconhece.

Esta entrevista integra o programa de rádio ECCLESIA, na Antena 1 da rádio pública, este domingo, pelas 06h00, ficando depois disponível online; a emissão acontece no Dia Mundial dos Migrantes e Refugiados,  que a Igreja Católica celebra desde 1914, este ano com o tema “Forçados como Jesus Cristo a fugir”, escolhido pelo Papa Francisco.

SN

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