Responsável da Obra Católica Portuguesa de Migrações pede «políticas públicas e internacionais» que permitam a «circularidade»

Lisboa, 25 set 2021 (Eclesia) – Eugénia Quaresma, diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações (OCPM) disse que perante a grande diversidade que existe, a Igreja não pode ficar “encerrada” numa “forma de viver o Evangelho” e pede políticas que permitam viver em “circularidade”.

“Hoje são eles, ontem fomos nós, e amanhã poderemos voltar a ser nós. Pensando nas alterações climáticas que batem à porta com muita força, podemos ser nós, novamente. E como queremos ser acolhidos? Podemos pensar as políticas públicas e internacionais, de forma a viver uma circularidade”, afirmou a responsável à Agência ECCLESIA, por ocasião do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado que a Igreja católica celebra este domingo.

A responsável apelava ao fim da “dicotomia”: “Os que chamamos de «outros» são parte de nós e esta consciência faz toda a diferença”.

A OCPM assinala este dia e convida os Secretariados diocesanos, as instituições Cáritas, as paróquias, à partilha de boas prática com o objetivo de “mapear” o bem que a Igreja faz” no acolhimento aos migrantes e refugiados.

Eugénia Quaresma dá ainda conta de uma iniciativa a decorrer online, no dia 26, que quer “congregar comunidades católicas na diáspora e os secretariados”.

Para além do trabalho de acolhimento e acompanhamento dos migrantes, a OCPM indica a necessidade de “preciso trabalhar também junto das pessoas que exploram a dignidade do outro”.

“No mundo das migrações a exploração laboral, sexual, o não pagar o que é devido, não reconhecer direitos, pessoas que vendem pessoas no tráfico humano. Tem consequências enriquecer à custa das pessoas e não devemos esquecer a importância de trabalhar com quem explora a dignidade do outro”, sublinha.

A responsável lembra ainda o trabalho que a Secção dos Migrantes e Refugiados da Santa Sé tem disponibilizado vídeo sobre a realidade migrante, seguindo o tema que o Papa Francisco elegeu para este ano: «Rumo a um nós cada vez maior».

No último vídeo, «Sonhar como uma única humanidade», o Papa Francisco afirma que todos são “chamados a sonhar juntos, sem medo de sonhar”.

“Sonhar juntos como companheiros da mesma viagem, como filhos da mesma terra que é a nossa casa comum. Todos irmãos e irmãs”, destaca.

“Como migrantes temos medo de chegar ao desconhecido. Percebo que não devemos ter medo do que desconhecemos. Todos estamos a caminho da mesma viajem. Todos podemos ter um futuro como irmãos”, testemunham as participantes no vídeo.

Eugénia Quaresma destaca o “poder dos vídeos, o testemunho pessoal” que ali se encontra que procura derrubar as barreiras de quem “ficam pelo que vê ao longe e pelo preconceito”.

A responsável acrescenta ainda que o desafio do Papa Francisco, «Rumo a um nós cada vez maior» mostra a necessidade de “recomeçar e reconstruir de forma diferente, com mais força”, no pós confinamento da pandemia.

“Esta mensagem para além de ser muito bonita é pedagogicamente divulgada mensalmente pela secção migrantes e refugiados, com diverso material que nos ajuda a refletir e procura contagiar com o espírito de universalidade, recordando que somos uma família humana, recordando que pertencemos a uma mesma casa comum e apelando aos católicos que se tornem verdadeiramente católicos, que não tenham medo de se relacionar com todos, não tenham medo de praticar o que acreditam”, sublinha.

O trabalho da OCPM é feito em, parceria com outras instituições que recentemente se reuniram num encontro promovido pela Plataforma de Apoio aos refugiados com o objetivo de aferir a capacidade de acolhimento de cidadãos afegãos.

“Procuramos não esquecer ninguém, os sírios, os moçambicanos, apesar de acolhermos agora os afegãos. Acreditamos que se tivermos o coração aberto, vamos descobrir como intervir e ajudar”, finaliza.

HM/LS

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