Diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações defende «mudança de narrativa»

Lisboa, 25 set 2022 (Ecclesia) – A diretora da Obra Católica de Migrações (OCPM) afirmou que a Igreja “não pode aceitar” discursos racista e xenófobos, pedindo uma “mudança” na narrativa.

“Aquilo que é preocupante é quando transformamos os migrantes em bodes expiatórios. E é isso que a Igreja não pode aceitar e que a Igreja não aceita”, refere Eugénia Quaresma, em entrevista conjunta à Agência ECCLESIA e Renascença, a respeito do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado que se celebra hoje.

A responsável defende uma “mudança na narrativa”, que leve todos, na Igreja e na sociedade, a “trabalhar em conjunto”.

“Quem trabalha diariamente com migrantes e refugiados consegue estar mais disponível para escutar as histórias, para ver estes irmãos e reconhecer o sentido da fraternidade. Quem não está habituado, quem não conhece esta realidade deixa-se mais facilmente contagiar pelo medo, o medo do desconhecido”, acrescentou.

Eugénia Quaresma elogiou a solidariedade com as pessoas que fugiram da guerra na Ucrânia e pede que “algumas dessas respostas sejam fixadas e alargadas a outras nacionalidades”.

“Um dos momentos de tristeza neste movimento todo foi quando, nas fronteiras, sentimos que houve pessoas que ficaram para trás porque não eram identificadas como vindas da Ucrânia”, apontou.

A diretora da OCPM admite que Portugal está “vulnerável” ao tráfico de seres humanos, em particular no atual contexto de guerra.

O trabalho de sensibilização, nomeadamente da Igreja tem a ver com isto: não nos transformarmos em exploradores, como não sermos consumidores seja da exploração laboral, seja da exploração sexual, seja a questão, por exemplo, da adoção”.

Eugénia Quaresma pede aos responsáveis políticos que trabalhem “no sentido da coesão social”, para superar injustiças e desigualdades.

“A questão dos nacionalismos tem de ser repensada. Não faz sentido, temos de cuidar”, sustentou.

A mensagem do Papa para este Dia Mundial tem o tema ‘Construir o futuro com os migrantes e os refugiados’.

Henrique Cunha (Renascença) e Octávio Carmo (Ecclesia)

 

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