Padre José Lobato, administrador diocesano, destacou «palavra destemida» e «testemunho corajoso» do primeiro bispo sadino

Setúbal, 25 set 2022 (Ecclesia) – O padre José Lobato, administrador diocesano de Setúbal, recordou este sábado a figura de D. Manuel Martins, no quinto aniversário do seu nascimento, evocando um homem de “palavra destemida” e “testemunho corajoso”.

“Há cinco anos, neste dia 24 de setembro, o nosso primeiro Bispo partia deste mundo ao encontro pleno e definitivo daquele de quem recebera a missão de ser, em terras de Setúbal, pastor e profeta, pela palavra destemida e pelo testemunho corajoso da sua vida, durante quase 23 anos”. escreve, em mensagem enviada à Agência ECCLESIA e divulgada online.

O responsável refere-se à situação atual da diocese, sem bispo desde 28 janeiro, quando D. José Ornelas foi nomeado, pelo Papa, como responsável pela Diocese de Leiria-Fátima.

“Não nos esqueça, D. Manuel, como nós não o esquecemos a si, na memória e na saudade que nos deixou: um Bispo livre, solidário, apaixonado pela humanidade, sobretudo os mais pobres, iniciando, há 47 anos, uma geração de Bispos de Setúbal que nos leva a aguardar com esperança o seu terceiro sucessor”, indica o padre José Lobato.

O sacerdote admite que esta “não é uma experiência nova, apesar de estar a ser, até agora, a mais prolongada e dolorosa”.

Se aos homens e mulheres – clérigos, leigos, religiosos – persistentes e corajosos na fé, esperança e caridade foi por Cristo prometida a plenitude do Reino dos Céus, podemos dirigir-nos também a D. Manuel, mesmo sem antecipar a sua beatificação, pedindo-lhe que lá onde está continue a lembrar-se de que, ‘tendo nascido Bispo em Setúbal, agora continua a ser de Setúbal’. Sempre! Reze por nós. Reze pela sua Diocese. Reze connosco pelo nosso futuro Bispo”.

D. Manuel Martins nasceu a 20 de janeiro de 1927, em Leça do Balio, concelho de Matosinhos; foi ordenado sacerdote em 1951, após a formação nos seminários do Porto, seguindo-se a frequência do curso de Direito Canónico na Universidade Gregoriana, em Roma.

Pároco da Cedofeita, no Porto, entre 1960 e 1969, D. Manuel Martins foi nomeado vigário-geral da diocese nortenha em 1969, antes de seguir para Setúbal, como seu primeiro bispo.

No dia 23 de abril de 1998, o Papa João Paulo II aceitou o seu pedido de resignação ao cargo de bispo de Setúbal.

O falecido bispo agraciado com a grã-cruz da Ordem de Cristo, durante as comemorações do 10 de junho de 2007, em Setúbal, e com o galardão dos Direitos Humanos da Assembleia da República, a 10 de dezembro de 2008.

Em maio de 2015, D. Manuel Martins foi condecorado com a medalha da Ordem de Timor-Leste, pelo papel que teve na restauração da independência deste país.

Este sábado, um grupo de amigos do primeiro bispo sadino promoveu uma celebração no Mosteiro de Leça do Balio (Diocese do Porto), seguida de uma evocação junto ao busto erigido em sua memória, no mesmo local.

A inicativa, refere uma nota enviada à Agência ECCLESIA, visou “manter vivo o seu enorme legado, de testemunha do Evangelho e da defesa dos mais pobres e injustiçados e da  promoção da dignidade humana”.

OC

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