Francisco aponta à necessidade de uma sociedade onde todos «possam viver em paz e com dignidade»

Foto: Ricardo Perna

Cidade do Vaticano, 25 set 2022 (Ecclesia) – O Papa defende na sua mensagem para o Dia Mundial do Migrante e Refugiado, celebrado hoje, que “ninguém deve ser excluído” da sociedade, rejeitando que sejam vistos como “invasores”.

“Ninguém deve ser excluído. O plano divino é essencialmente inclusivo e coloca, no centro, os habitantes das periferias existenciais. Entre estes, há muitos migrantes e refugiados, deslocados e vítimas de tráfico humano”, refere o texto, divulgado pelo Vaticano.

Francisco alude às recentes experiências de guerra e da pandemia de Covid-19.

“À luz do que aprendemos nas tribulações dos últimos tempos, somos chamados a renovar o nosso compromisso a favor da construção dum futuro mais ajustado ao desígnio de Deus, a construção dum mundo onde todos possam viver em paz e com dignidade”, indica.

Apraz-me ver esta abordagem do fenómeno migratório numa visão profética de Isaías, onde os estrangeiros não aparecem como invasores e devastadores, mas como trabalhadores cheios de boa vontade que reconstroem as muralhas da nova Jerusalém, a Jerusalém aberta a todas as nações (cf. Is 60, 10-11)”.

A mensagem, com o tema ‘Construir o futuro com os migrantes e os refugiados’, destaca a condição de peregrinação que marca a existência da vida humana e a importância, para os cristãos, da construção de uma nova sociedade, a caminho do “Reino de Deus”.

“A construção do Reino de Deus é feita com eles, porque, sem eles, não seria o Reino que Deus quer. A inclusão das pessoas mais vulneráveis é condição necessária para se obter nele plena cidadania”, pode ler-se.

O Papa aponta a necessidade de “reconhecer e valorizar” o contributo dos migrantes e refugiados, que considera “fundamental” para o crescimento das sociedades e a vida das comunidades religiosas.

A presença dos migrantes e refugiados constitui um grande desafio, mas também uma oportunidade de crescimento cultural e espiritual para todos. Graças a eles, temos a possibilidade de conhecer melhor o mundo e a beleza da sua variedade”.

Na mensagem para a celebração deste último domingo de setembro, Francisco alude à “riqueza contida em religiões e espiritualidades” de outros locais do mundo, que devem levar os católicos a aprofundar as “próprias convicções”.

“A chegada de migrantes e refugiados católicos dá nova energia à vida eclesial das comunidades que os acolhem, pois frequentemente são portadores de dinâmicas revigoradoras e animadores de celebrações cheias de entusiasmo”, acrescenta.

O Papa dirige-se de forma particular às novas gerações, para que assumam a liderança deste “Reino de justiça, fraternidade e paz”.

O texto conclui-se com uma oração.

OC

Oração

Senhor, tornai-nos portadores de esperança, para que, onde houver escuridão, reine a vossa luz e, onde houver resignação, renasça a confiança no futuro.

Senhor, tornai-nos instrumentos da vossa justiça, para que, onde houver exclusão, floresça a fraternidade e, onde houver ganância, prospere a partilha.

Senhor, tornai-nos construtores do vosso Reino juntamente com os migrantes e os refugiados e com todos os habitantes das periferias.

Senhor, fazei que aprendamos como é belo vivermos, todos, como irmãos e irmãs.

Amen.

 

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