Padre Idalino Simões recorda o amigo que faleceu em São Tomé e Príncipe

Coimbra, 03 mar 2021 (Ecclesia) – O padre Idalino Simões, da Diocese de Coimbra, recorda na edição de hoje das ‘Memórias que Contam’ o padre Manuel Pereira Cristóvão, falecido no dia 3 de janeiro, evocando um amigo e sacerdote “à frente do seu tempo”.

“Era um excelente amigo que, às vezes, tinha posições um pouco radicais porque o achavam um pouco progressista”, refere o convidado desta quarta-feira no ciclo de conversas promovidas pela Agência ECCLESIA na Quaresma.

O padre Manuel Pereira Cristóvão nasceu em Pelmá, concelho de Alvaiázere, a 3 de fevereiro de 1945; estudou nos seminários diocesanos de Coimbra e foi ordenado em 11 de agosto de 1974.

O entrevistado recorda alguns episódios da vida do falecido sacerdote, que “saiu a salto para Paris (França) onde arranjou trabalho e fez os preparatórios de Sociologia na Universidade de Sorbonne”, terminando o curso em Lovaina (Bélgica).

Quando voltou à Diocese de Coimbra, o padre Idalino Simões convidou Manuel Pereira Cristóvão para trabalhar no “Justiça e Paz, mas este não aceitou o convite porque “queria trabalhar com os mais pobres e simples, não com os intelectuais”.

Depois da ordenação, em 1974, na Paróquia de São Martinho do Bispo (Diocese de Coimbra), fez “um trabalho notável”.

“Reconstruiu uma paróquia na base do compromisso de leigos e nas catequeses”, diz o entrevistado.

Do padre Manuel Pereira Cristóvão, Idalino Simões recorda uma pastoral “cheia de dinamismo”, conseguindo “buscar gente da margem que tinha sido abandonada”.

“Um homem que lidava bem com as fronteiras”, acrescenta.

O entrevistado recorda também que o padre Manuel Pereira Cristóvão foi professor no Instituto Superior de Estudos Teológicos (ISET) de Coimbra e na Escola de Enfermagem Bissaya Barreto.

O amigo do padre Idalino Simões “foi um membro destacado” do conselho presbiteral, com propostas “muito interessantes e arrojadas”.

Em 1986, o padre Manuel Pereira Cristóvão tomou a decisão de ir para a Casa do Gaiato, passando por Setúbal e Tojal, antes de partir, em 2006, para São Tomé e Príncipe.

“Um homem que viveu à frente do seu tempo e capaz de olhar para outros lados”, concluiu.

As ‘Memórias que Contam’ são a nova proposta das conversas online que a Agência ECCLESIA tem vindo a promover, desde o primeiro confinamento, e vão estender-se ao longo da Quaresma, para evocar pessoas ligadas à Igreja Católica que faleceram durante a pandemia.

LFS/OC

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