Diretora do secretariado português da fundação pontifícia sublinha «contexto problemático» do próximo destino internacional de Francisco

Foto: Vatican Media

Lisboa, 03 mar 2021 (Ecclesia) – A diretora do secretariado português da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) considera que a visita do Papa Francisco ao Iraque acontece num “contexto problemático” porque é uma região onde os cristãos “têm sido mais perseguidos”

“Esta é uma das zonas do globo onde os cristãos têm sido mais perseguidos, nomeadamente a zona que o Papa vai visitar”, referiu Catarina Martins de Bettencourt à Agência ECCLESIA, em entrevista emitida hoje na RTP2.

A 33ª viagem apostólica fora da Itália do Papa, a primeira desde o início da pandemia, acontece, entre 5 e 8 de março, a convite da República do Iraque e da Igreja Católica local, com passagens por Bagdade, Najaf, a planície de Ur – ligada à memória de Abraão -, Erbil, Mossul e Qaraqosh, na planície de Nínive.

“É uma zona muito complicada do globo” onde os cristãos têm um “sentimento de orfandade” porque se sentem “abandonados pela comunidade internacional”, frisou Catarina Martins de Bettencourt.

A AIS e outras instituições têm procurado ajudar estas comunidades, porque se tal não acontecesse os cristãos “estariam completamente abandonados”.

O rasto de destruição é visível onde até igrejas “foram transformadas em campos de tiro ou armazéns de bombas”, sublinhou a responsável.

Para que os cristãos regressem às suas habitações, a diretora do secretariado português da AIS apela à reconstrução das infraestruturas.

“Em 2003 havia cerca de 1, 4 milhões de cristãos; hoje, pensa-se que serão menos de 250 mil”, precisou.

O curso da história “pode ser alterado”, mas compete ao Ocidente “evitar que daqui a uns anos o Iraque não tenha ninguém da comunidade cristã”, realçou ainda.

Para Catarina Martins de Bettencourt, a visita do Papa Francisco a este país do Médio Oriente é “uma chamada de atenção ao mundo” e mostra que “é importante a comunidade cristã permanecer neste ponto do globo”.

Este espaço semanal no Programa ECCLESIA também abordou a situação dos cristãos na Nigéria com o jornalista da instituição, Paulo Aido.

HM/LFS/OC

 

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