Diretor-adjunto do Diário de Notícias alerta para banalização da guerra e instrumentalização religiosa dos conflitos

Lisboa, 05 mar 2026 (Ecclesia) – O diretor-adjunto do Diário de Notícias afirmou que o Médio Oriente vive num estado de conflito permanente, denunciando a indiferença internacional perante as causas das guerras.
“Nós podemos olhar para as guerras e ver quase como se fossem jogos de computador, mísseis a cruzar os ares, drones, aviões, mas a verdade é que, por muito cirúrgicos que sejam os ataques, há sempre gente a morrer”, lamentou Leonídio Ferreira, em entrevista ao Programa ECCLESIA (RTP2), emitido hoje.
O especialista em assuntos internacionais analisou a escalada de violência na região, desencadeada pelo recente ataque de Israel e dos Estados Unidos ao Irão e pelas respetivas retaliações.
“Infelizmente para o Médio Oriente esse novo normal é praticamente desde sempre”, assinalou o jornalista.
O entrevistado evocou a complexidade histórica da região, recordando as crises na Síria, no Líbano e no Iémen, bem como o impasse no conflito israelo-palestiniano.
“Verdadeiramente o Médio Oriente é uma região de grande conflito, é fácil tentar especular sobre as razões: alguns mais simplistas dizem que é a questão do petróleo, outros vão dizer que é o choque das civilizações, porque é ali que se cruzam as grandes religiões monoteístas, há quem diga também que é o legado das divisões coloniais”, explicou.
O diretor-adjunto do Diário de Notícias partilhou a sua experiência em Teerão, descrevendo o Irão como um país assente numa sociedade “muito educada e muito aberta”, apesar do regime religioso imposto há quase 50 anos.
“O que me pareceu mais evidente é que havia uma sociedade que queria mais do que aquilo que estava a ter em termos de regime”, assinalou o jornalista, evocando as recentes manifestações de contestação no país.
O especialista apelou a uma maior responsabilização política e cívica na prevenção dos conflitos armados, criticando a inação dos líderes globais.
“Estas guerras não começam do nada. Quando ficamos chocados por elas estarem a acontecer, também temos de perceber que houve coisas que não foram feitas antes”, observou.
A entrevista abordou ainda o papel da diplomacia, destacando a centralidade dos pontífices na promoção da paz global, para além das fronteiras do mundo cristão.
“Nós falamos muitas vezes de guerras de religião e de choques de religiões, mas é verdade que, em regra, os líderes das grandes religiões têm tentado dialogar”, reconheceu o diretor-adjunto do DN.
Leonídio Ferreira alertou, contudo, para a frequente instrumentalização da fé para fins territoriais e políticos, dando como exemplo o caso da Nigéria.
“Era um conflito que não era religioso, mas foi fácil alguém pôr o elemento religioso neste conflito e ele ganhar outra proporção”, concluiu.
HM/OC
