Médio Oriente: Cáritas apela à comunidade internacional para travar escalada de violência

Organização católica exige cessar-fogo imediato, em mensagem à Assembleia Geral das Nações Unidas

Foto: caritas.org

Roma, 24 set 2026 (Ecclesia) – A Cáritas Internacional e a Cáritas do Médio Oriente e Norte de África (MONA) instaram hoje os líderes mundiais reunidos na Assembleia Geral das Nações Unidas a agir de forma decisiva para travar a escalada de violência e a “policrise” na região.

Numa declaração conjunta, enviada à Agência ECCLESIA, as organizações católicas denunciam a “brutalidade dos bombardeamentos diários”, o confinamento e as deslocações forçadas que atingem as populações de Gaza, Cisjordânia, Líbano, Síria e Irão, exigindo o cumprimento do direito internacional e a responsabilização judicial dos promotores do conflito.

Em Gaza, a rede humanitária alerta que a maioria dos 2,1 milhões de residentes permanece deslocada e confinada a 30% do território, enfrentando insegurança alimentar aguda e a ausência de abrigo, água e saneamento básico.

A nota sublinha que o cessar-fogo anunciado em outubro de 2025 tem sido violado diariamente pelas forças israelitas nos últimos 337 dias consecutivos (desde setembro de 2026).

A declaração socorre-se do relatório de junho de 2026 da Comissão de Inquérito da ONU, que aponta para o “alvo deliberado” de crianças palestinianas e acusa as autoridades israelitas de genocídio e crimes de guerra.

Na Cisjordânia, o texto ecoa as denúncias da Amnistia Internacional sobre uma “campanha de limpeza étnica” e anexação de territórios promovida e liderada pelo Estado hebraico, através da proliferação de colonatos ilegais.

A análise das estruturas sociocaritativas estende-se ao Líbano, reportando uma ocupação de facto no sul do país por parte dos militares israelitas, impedindo o regresso dos civis às suas casas.

A intervenção militar abrange ainda a Síria, onde a ONU regista uma atividade militar “cada vez mais sustentada e enraizada” desde dezembro de 2024, e o Irão, alvo de ofensivas conjuntas de Israel e dos Estados Unidos.

Perante a dimensão da crise, a Cáritas exige a garantia de um acesso humanitário “seguro, atempado, sustentado e sem restrições” a todas as populações afetadas, reclamando o levantamento imediato da proibição imposta pelo Governo de Israel à operação de organizações humanitárias no Território Palestiniano Ocupado.

O apelo global defende o destacamento de forças de manutenção da paz da ONU para proteger os civis, nomeadamente através da renovação do mandato da UNIFIL, bem como o cumprimento rigoroso dos mandados de captura do Tribunal Penal Internacional (TPI) e a execução das ordens do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ).

As instituições católicas exigem a plena implementação do parecer consultivo do TIJ (julho de 2024), que determina o fim da presença ilegal israelita nos territórios ocupados e da atividade colonizadora, bem como da libertação de todas as pessoas detidas arbitrariamente, denunciando a tortura e os maus-tratos a prisioneiros palestinianos, incluindo menores.

No encerramento da mensagem, a rede sublinha que as comunidades afetadas esperam “mais do que declarações de preocupação”, apelando à mobilização de todas as pessoas de fé e advertindo que o silêncio perante o sofrimento humano equivale a “ser cúmplice”.

OC

Partilhar:
Scroll to Top