Palestina: Escola do Patriarcado Latino em Gaza reabriu, após quase três anos de interrupção das aulas

«Vimos lágrimas de alegria nos olhos das crianças e dos seus pais», afirmou o pároco de Gaza, padre Gabriel Romanelli

Foto: Patriarcado Latino de Jerusalém

Jerusalém, 22 set 2026 (Ecclesia) – O Patriarcado Latino de Jerusalém assinalou hoje o início do ano letivo na sua Escola em Gaza (Palestina), com mais de mil alunos, do jardim-de-infância ao 12º ano, “após quase três anos de interrupção”.

“Vvimos lágrimas de alegria nos olhos das crianças e dos seus pais ao verem os seus filhos regressarem à escola após três anos de instabilidade”, disse o pároco da Sagrada Família em Gaza, citado pelo Patriarcado Latino de Jerusalém.

O padre Gabriel Romanelli, o responsável pela única paróquia católica no enclave palestiniano da Faixa de Gaza, expressou profunda emoção pelo regresso das crianças às salas de aula da Escola do Patriarcado Latino em Gaza, esta terça-feira, após quase três anos de interrupção devido à guerra iniciada após os ataques do Hamas contra Israel, a  7 de outubro de 2023.

A abertura do ano letivo 2026/2027 começou com o acolhimento de mais de 1005 alunos, desde o jardim-de-infância, que tem um “edifício novo”, até ao 12.º ano de escolaridade, na Escola do Patriarcado Latino em Gaza, e 77 professores regressaram ao trabalho, nos diferentes níveis de ensino.

Ao longo destes anos de guerra, uma das principais prioridades do Patriarcado Latino de Jerusalém foi manter esta oferta na educação, o que exigiu meses de preparação e de trabalho no “meio de graves escassez e condições difíceis”.

“Sem proporcionar educação às crianças, como pode haver esperança?”, referiu o patriarca latino, o cardeal D. Pierbattista Pizzaballa, repetidamente sobre a importância de restabelecer o acesso à educação, nas visitas pastorais a Gaza.

A Paróquia católica da Sagrada Família “nunca deixou de oferecer educação às crianças” que procuraram refúgio nas suas instalações”, durante a guerra “especialmente nos dias mais difíceis”, e, hoje, recebe “um número muito maior de alunos nas suas salas de aula”.

“À medida que algumas regressaram a casa ou encontraram outras habitações na primavera de 2026, pudemos acolher mais estudantes. Este lugar, que albergou pessoas deslocadas durante a guerra, está hoje a regressar à sua missão educativa”, assinalou o padre Gabriel Romanelli.

Esperamos que este espaço seja um lugar onde o amor, a cura e o respeito mútuo entre os membros da comunidade possam florescer.”

Fotos: Padre Gabriel Romanelli (página oficial facebook)

A única instituição cristã de ensino a funcionar na cidade palestiniana de Gaza continua a servir alunos de toda a comunidade, e esta reabertura da escola do Patriarcado Latino, apesar dos desafios que incluem “a escassez de mobiliário, material escolar e recursos básicos para o ensino”, foi possível com os esforços da equipa local do patriarcado e da equipa supervisora ​​em Jerusalém, e com o “apoio de muitos doadores e parceiros”.

O estabelecimento de ensino na Faixa da Gaza vai implementar atividades extracurriculares para apoiar os alunos psicologicamente, “atendendo às necessidades” dos estudantes e dos professores que regressam ao ensino “após anos de interrupção”, adianta ainda o Patriarcado Latino de Jerusalém.

Após o ataque do movimento islamita palestiniano Hamas contra Israel, a 7 de outubro de 2023, a Faixa de Gaza tem sido devastada pela guerra; o complexo da Paróquia da Sagrada Família, a única paróquia católica do enclave palestiniano, acolheu centenas de pessoas, também foi atingida, e morreram pessoas.

O diretor das escolas da Custódia da Terra Santa, padre Ibrahim Faltas, apelou à intervenção da comunidade internacional para travar a morte de inocentes, após o colapso de um edifício residencial em Gaza, no dia 18 de setembro.

O portal online de notícias do Vaticano informa que entre mortos e feridos “o número ultrapassa 50 mil crianças, estima-se que cerca de 17 mil crianças tenham ficado sozinhas” – “20 179 crianças foram mortas na Faixa de Gaza”, desde o início da guerra até 31 de março de 2026, “mais de 44 mil ficaram feridas, cerca de 21.000 vivem com deficiências permanentes” -, segundo o relatório da Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas sobre os Territórios Palestinos Ocupados, incluindo Jerusalém Oriental, e Israel.

CB/OC

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