Maternidade Escola em Timor quer reverter altos índices de mortalidade materna e infantil

Está a nascer a Maternidade Escola em Timor. Uma iniciativa de solidariedade entre om país asiático e Portugal que, desde 2000, tem desenvolvido esforços para reverter a alta taxa de mortalidade materna e infantil naquele país. Em Timor existem quatro hospitais e 47 médicos. Uma realidade claramente insuficiente para um país com tantas necessidades e com um atraso substancial de evolução das populações, o que “resulta num quadro elevado de mortalidade infantil e materna”, explica à Agência ECCLESIA Fernando Maymone Martins, médico e Presidente da Fundação Mater Timor. Esta aposta, sendo uma clara resposta às urgências natais de Timor, quer também capacitar as pessoas locais para que estas possam trabalhar na Maternidade. “É fantasia imaginar que se pode pôr a funcionar uma maternidade a partir de Lisboa a 20 mil quilómetros de distância”, explica o Presidente da Fundação. O projecto “não será bem sucedido se não for possível desencadear localmente os recursos necessários para manter a maternidade a funcionar, em especial os recursos humanos”. Por indicação de D. Alberto Ricardo, bispo de Díli, as Irmãs Carmelitas activas administram este projecto no local. A Portugal vieram duas religiosas fazer formação na área de esterilização e obstetrícia e estão já disponíveis para trabalhar na Maternidade. A tradição timorense dita que as mulheres tenham os seus filhos em casa. “O que não apresenta problemas se de facto a gravidez tiver a decorrer calmamente e se as habitações tiverem condições”. Para auxiliar estas situações o Presidente da Fundação explica que tencionam equipar duas ambulâncias para que, auxiliadas por parteiras, se possam deslocar a várias localidades de forma a prestar auxílio e acompanhar estas situações. “Será uma forma de a Maternidade funcionar como sede, e estender os seus braços de apoio a várias localidades das diocese de Dili e Baucau”. Distúrbios em Timor Abril era o mês apontado para a inauguração da Maternidade Escola. Os recentes distúbios em Timor criaram instabilidade na população o que “atrasou as obras”, que nesta altura se encontram em fase de acabamento. “Não se registaram assaltos ou actos de vandalismo”, precisa Fernando Martins que em breve vai deslocar-se a Timor para se inteirar da actual situação. “Aguardamos apenas indicações da igreja local e das autoridades civis para saber quando poderemos ir”, acrescenta, indicando que “não há previsão para a inauguração”. Angariação de fundos e de recursos humanos As energias concentram-se agora na angariação de fundos para aquisição de material. Para a sala de partos e de operações “temos o material necessário praticamente garantido”, explica o Presidente da Fundação. No entanto falta equipar a enfermaria e a zona das consultas para além dos recursos humanos necessários. A Maternidade quer também mobilar uma casa, anexa ao edifício principal, para que possa acolher mulheres que vivem no campo e que têm problemas na gravidez, de forma a que sejam acompanhadas nesta fase. A Fundação Mater Timor lança um apelo para dar a conhecer este projecto a nível nacional e internacional, para que “pessoas que estejam interessadas em ir trabalhar na maternidade o possam fazer”. Fernando Martins dá conta que têm tido “muitas manifestações de disponibilidade”, em especial de enfermeiros. As necessidades, no entanto, estendem-se a outras áreas também – médicos, técnicos de saúde, pediatras, anestesistas entre outros. O Presidente da Fundação aponta que as necessidades são ainda muitas “quer a nível material como humano”. Fernando Martins manifesta que Portugal tem uma tradição de ajuda a Timor muito apreciada pelos timorenses. Prova disso é o resultado da Campanha de Solidariedade realizada pela Rádio Renascença que se destinava à aquisição de material médico para equipar a Maternidade. Foram entregues 89 mil euros à Fundação Mater Timor.

Partilhar:
plugins premium WordPress
Scroll to Top