Lisboa, 17 mai 2011 (Ecclesia) – A beatificação da irmã Maria Clara do Menino Jesus (1843-1899), marcada para o próximo dia 21 de maio, é vista como o “reconhecimento universal” de um “carisma intemporal”, por Paula Cristina Martins, pró-reitora da Universidade do Minho.

“Animada por uma convicção íntima que concretizou de forma persistente e audaz, contra toda a evidência, mobilizada por uma inexplicável obstinação que a levou além do que prometia a força humana, a Irmã Maria Clara teve na sua fé a alavanca que lhe permitiu mover obstáculos, contornar as dificuldades, converter as ameaças em oportunidades”, escreve a responsável universitária, na mais recente edição do semanário Agência ECCLESIA, hoje publicado.

A ‘Mãe Clara’, como é popularmente conhecida, fundou a Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição (CONFHIC), hoje presente em dezenas de comunidades espalhadas por Portugal e noutras casas abertas em mais 13 países.

A religiosa Rosa Helena Mendes de Moura afirma que “Maria Clara tem uma palavra a dizer, nos dias de hoje, nas circunstâncias sociais, políticas, económicas e religiosas” que o país está a viver.

A futura beata, acrescenta, “lembra a necessidade urgente de dar prioridade ao amor dos mais necessitados, dos mais frágeis, pondo a seu serviço o que cada um é capaz de dar de si mesmo e dos próprios bens”.

Maria Emília da Silva Monteiro, religiosa da congregação, destaca a dedicação das irmãs “à saúde, ao cuidado de crianças e idosos, à educação e à evangelização direta”.

Nessas frentes, sublinha, “a hospitalidade sempre foi entendida como capacidade de estender o próprio ser aos outros, como espaço aberto de acolhimento, de paciência e de ternura, de presença sensível e amiga e, até, como arte”.

A irmã Maria Amélia Carreira das Neves, da CONFHIC, sublinha que “o envio das Franciscanas Hospitaleiras para terras de além-mar, em 1883, faz delas as primeiras mulheres missionárias portuguesas”.

“Abrir caminhos de fraternidade para que os ricos se convertam aos mais desfavorecidos é a lógica do amor em toda a ação e decisão da CONFHIC, abrindo-se ao serviço do próximo em toda a terra habitada, mesmo quando esse serviço conduz ao sofrimento e à morte”, indica.

A beatificação vai ter lugar no estádio do Restelo, Lisboa, no próximo sábado, presidida por D. José Policarpo, cardeal-patriarca de Lisboa, com a presença do cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, em representação do Papa.

O ritual inclui a leitura da carta apostólica de beatificação e a chamada procissão das relíquias, que neste caso será um osso da Madre Maria Clara.

Nessa cerimónia é ainda anunciada a data em que se celebrará anualmente a festa litúrgica de Maria Clara do Menino Jesus, marcada para 1 de dezembro, dia da morte da religiosa portuguesa.

À imagem do que aconteceu com a beatificação de João Paulo II, o portal da Agência ECCLESIA na Internet vai disponibilizar uma edição especial em formato pdf com todos os textos e fotografias produzidos para esta ocasião.

A religiosa do século XIX vai juntar-se a cinco portugueses beatificados desde 2000: os Pastorinhos Francisco e Jacinta, frei Bartolomeu dos Mártires, Alexandrina de Balasar e Rita Amada de Jesus, sendo que também neste período foi beatificado o Imperador Carlos de Áustria, que faleceu no Funchal.

A estas beatificações soma-se a canonização de Nuno Álvares Pereira, o Santo Condestável, que aconteceu a 26 de abril de 2009, no Vaticano.

OC

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