Na Missa de Domingo de Páscoa, D. Nuno Brás lembrou momento em que Maria Madalena foi ao sepulcro e o encontrou vazio e enfatiza que o amor de João lhe permitiu ver mais longe

Funchal, Madeira, 05 abr 2026 (Ecclesia) – O bispo do Funchal desejou hoje, na Missa de Domingo de Páscoa, na Sé diocesana, que a “certeza da ressurreição” se estenda à vida de cada um, lembrando o apóstolo João cujo amor lhe permitiu ver mais longe.
“Depois dele, muitos outros discípulos, muitos outros cristãos acreditaram, mesmo sem terem visto. Deixemos que, tal como sucedeu com o discípulo amado, a certeza da ressurreição inunde a nossa vida, nos permita olhar mais longe que os estreitos limites dos sentidos físicos, e nos encha da alegria que não tem fim: Cristo venceu a morte para sempre. Aleluia!”, afirmou.
Na homilia enviada à Agência ECCLESIA, D. Nuno Brás recordou que “ao primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro” de Jesus, encontrando-o “vazio”.
“Inicialmente, a resposta de Maria Madalena e de Pedro esteve longe de ser a resposta da fé. Foi, antes, a resposta que se apresentava mais imediata: ‘roubaram o corpo do Senhor’”, lembrou.
D. Nuno Brás destaca que “isso mesmo se apressaram a defender as autoridades judaicas e aquelas romanas” e “assim continuam hoje, teimosamente, incapazes de ousar o passo da fé, tantos outros a responder”.
“É a resposta lógica, humana, conveniente: a resposta que não exige nenhum outro passo, que não provoca escândalo. Não era a primeira vez, nem seria a última que um cadáver seria roubado: os discípulos poderiam regressar a sua casa, às suas terras e às suas profissões, talvez cansados de se verem envolvidos em todos aqueles acontecimentos”, referiu.
No entanto, salienta, “João, o discípulo amado, foi capaz de ir mais longe que a mera e imediata aparência”.
Segundo o bispo diocesano, “o amor faz ver mais longe, alarga os horizontes da lógica humana, admite outras razões que a razão se mostra incapaz de conhecer”.
“[João] viu o mesmo que Pedro e que Madalena, mas ousou ir mais longe, e acreditou. Em que acreditou? Acreditou na ressurreição de Jesus. Acreditou com que razões? Em primeiro lugar, acreditou nos anúncios que Jesus tinha realizado da sua Paixão na cruz e da sua ressurreição”, realçou.
D. Nuno Brás recorda que Cristo “anunciou aos seus discípulos a sua morte, mas anunciou igualmente a sua ressurreição, realidade que, naquele momento, os discípulos não foram capazes de compreender”.
Aludindo ao final da narrativa da transfiguração, o bispo diocesano ressaltou que Pedro, Tiago e João não perceberam o que significava ‘ressuscitar dos mortos’, mas que, o último deles, confrontado com o acontecimento do túmulo vazio, entendeu as palavras de Jesus.
“Mas João acreditou também nas Escrituras. Não sabemos identificar a que passagem exata do Antigo Testamento S. João se referia, mas sabemos que todo o conjunto das Escrituras proclama, sem sombra de dúvidas, a vitória de Deus sobre a morte”, disse.
Contudo, frisa D. Nuno Brás, o “próprio Jesus ressuscitado foi mais longe”.
“Sabemos que, logo após a descoberta do túmulo vazio, se apresentou a Maria Madalena, tratando-a pelo nome; e que, depois, se apresentou aos discípulos reunidos no Cenáculo, uma e outra vez; e também nas margens do Lago”, acrescentou.
O Domingo de Páscoa é dia da festa mais importante para a Igreja Católica, assinalando a ressurreição de Jesus.
LJ/OC
