D. António Augusto Azevedo apelou a partilhar a fé, assinalando a necessidade de encontrar hoje um novo impulso e dinamismo à sua transmissão

Vila Real, 05 abr 2026 (Ecclesia) – O bispo de Vila Real apontou hoje, na Missa do Domingo de Páscoa a que presidiu na cidade, que a ressurreição de Jesus se apresenta atualmente como uma provocação face a um mundo marcado pela violência.
“Nestes dias em que a força das armas semeia destruição e morte em tantas partes do mundo, em que os interesses dos poderosos descartam o património da cultura, do direito e da ética, a fé em Cristo Ressuscitado constitui desafio e provocação”, referiu D. António Augusto Azevedo, na homilia enviada à Agência ECCLESIA.
Na intervenção, o bispo diocesano realçou que, para muitos crentes, a “Páscoa desafia a acordar de algum adormecimento numa fé instalada, cómoda ou inócua”.
No entanto, acrescentou, “para os senhores do mundo, instalados no seu poder e na riqueza, a Ressurreição de Jesus constitui provocação porque manifesta que o inocente condenado, o que se entregou por amor, sem ódio ou violência, esse é o verdadeiro vencedor”.
“Num contexto global de encruzilhada, no meio de estratégias de polarização que usam todo o tipo de manipulação, a fé cristã está sempre do lado da promoção da vida humana, digna, pacífica e livre”, destacou.
Na homilia, o bispo declarou que “a ressurreição de Jesus confirma que a intervenção divina representa a vitória da vida” e que, “para Deus, a humanidade não está esquecida, irremediavelmente condenada ou perdida”.
“A violência e o sofrimento não são a última palavra. A morte foi vencida; a esperança é possível”, salientou.
Na Eucaristia, D. António Augusto Azevedo sublinhou a necessidade de a fé dos cristãos “encontrar hoje um novo impulso e dinamismo”, dirigindo um apelo “aos que foram batizados nesta Páscoa e a todos os que renovaram os seus compromissos batismais”.
Todos temos hoje a grande tarefa de dizer a fé, partilhar com o outro este grande tesouro. Não podemos reduzi-la a uma experiência fechada ou intimista, mas temos de ousar falar dela: os pais aos filhos, os amigos entre si, os jovens aos outros jovens. Como Maria Madalena, partilhemos o que nos enche o coração”, pediu.
O bispo de Vila Real entende que, “também no espaço público e mediático, demasiado ocupados com escândalos e futilidades, indutores de tristeza e descrença, é necessária maior abertura à dimensão da fé”.
“Rompendo barreiras e superando preconceitos a mensagem da fé pascal pode chegar, também por estes novos meios, a muitos corações e renovar muitas vidas. A esses e a todos os lugares, começando pelas nossas casas, levemos a boa notícia da ressurreição de Jesus”, incentivou.
LJ/OC
