LUSOFONIAS – Moçambique com Missão

Tony Neves na Matola, Moçambique

Os Espiritanos chegaram a Moçambique em 1996. É uma presença muito jovem, com  tudo o que tal representa. Os missionários são jovens, as estruturas frágeis, mas a vontade de anunciar o Evangelho e caminhar com o povo é enorme. Tive a alegria de, mais uma vez, visitar o país com o objetivo único de estar com os missionários e com eles avaliar a missão que ali se desenvolve, bem como lançar os compromissos espiritanos para os próximos anos. O Conselho Ampliado do Grupo, sob a forma de Assembleia Geral, reuniu na Matola, periferias de Maputo, todos os Espiritanos que vivem e trabalham em Moçambique. Digno de nota – uma vez que aponta para um futuro risonho – este Encontro contou, pela primeira vez na história, com um  jovem Padre Espiritano nascido e criado em Moçambique: o P. Agostinho João, recentemente ordenado em Nampula e já nomeado para trabalhar na vizinha Zâmbia.

Vale a pena olhar para os rostos que dão corpo à Missão espiritana por terras de Moçambique. Comecemos pelo Superior, o P. Alberto Tchindemba, natural de Angola. É mesmo o pai do Grupo, pois faz parte da equipa que iniciou a presença espiritana em Moçambique. Ali está de alma e coração, tendo assumido nos últimos anos a delicada e desafiante missão de animar e ‘governar’ a presença no país desta Congregação missionária.

O mais velho do Grupo é o P. John Kingston, irlandês. Foi missionário em Angola, durante a guerra civil, tendo marcas no corpo das balas que recebeu durante uma emboscada. Foi formador de futuros espiritanos, na Irlanda e, depois, desempenhou o cargo de Conselheiro Geral, em Roma. Está, atualmente, no Chimoio, sendo o Superior da Missão de Inhazónia, assumida em 1996. Nesta mesma Missão, situada na fronteira com o Zimbabwé, estão os jovens confrades Joseph Adah (da Nigéria) e Rogasian Kiraia (da Tanzânia), ambos chegados ao país enviados por Roma em nomeação missionária, a primeira que os jovens Espiritanos recebem.

Nampula acolhe a Casa Principal onde vive o Superior do Grupo e a partir da qual se anima a enorme e desafiante Paróquia de S. João de Deus, situada nas periferias da cidade. Além do P. Alberto, vive e trabalha nesta comunidade e na paróquia o P. Luís Irineu, um jovem de Cabo Verde que fez os estudos em Portugal e França.

A Casa de Formação inicial para ajudar a preparar futuros Espiritanos moçambicanos está situada na cidade da Beira. Ali a  Arquidiocese confiou à Congregação a nova Paróquia da Santíssima Trindade. A Comunidade responde então pelo acompanhamento de jovens candidatos à vida missionária e pela animação pastoral desta paróquia. Atualmente é o P. Nicholas Chendamukanwa, da Zâmbia, quem coordena estas duas missões.

D. José de Itoculo, na Diocese de Nacala, é uma das missões mais emblemáticas da presença espiritana (a par de Inhazónia), porque a atual área da Paróquia foi animada pelos Espiritanos desde a sua chegada a Moçambique. A primeira sede foi em Netia e, quando S. José de Itoculo se tornou paróquia, os missionários deslocaram-se para ali onde construíram a Igreja, a Residência, o Centro Pastoral e um Lar de acolhimento a jovens que vêm estudar para a sede do município. Trabalham aqui os Padres Leonel Katotola e Carlos Pilartes, de Angola. Aos Espiritanos se juntariam, mais tarde, as Irmãs Missionárias do Espírito Santo.

A última grande missão espiritana foi confiada à Congregação há 5 anos: a direção do Seminário InterDiocesano de Filosofia (S. Agostinho), na Matola. Aqui (pois aqui está a acontecer a Assembleia Espiritana) vivem e trabalham os Padres Nito Chatulica (Angola), Edmilson Semedo (Cabo Verde), Yves Mathieu (França), Urban Makimba (Rep. Democrática do Congo), Vidal Cunha (Brasil) e o recém-chegado de Roma, P. Afonso Ernesto (Angola).

Há que dizer que os Missionários do Espírito Santo, além das responsabilidades formativas e paroquiais já referidas, acompanham um numeroso grupo de Leigos que querem partilhar a espiritualidade e a missão dos Espiritanos.

O futuro a Deus pertence, mas há que construi-lo, com a força e a inspiração do Espírito Santo. Há muito futuro em Moçambique e os Espiritanos querem dar a sua colaboração na construção de uma Igreja que anuncie o Evangelho nestas terras e que ajude a construir um país mais fraterno, mais solidário, mais justo e mais pacífico.

Tony Neves na Matola, Moçambique

(Os artigos de opinião publicados na secção ‘Opinião’ e ‘Rubricas’ do portal da Agência Ecclesia são da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)

 

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