Tony Neves

O Papa Francisco gosta de aproveitar todas as oportunidades para pôr a Missão cada vez mais no coração da Igreja. Os cem anos do primeiro grande documento missionário da Igreja, chamado ‘Maximum Illud’, publicado pelo Papa Bento XV, foi o pretexto.  Assim, este Outubro é um Mês Missionário Extraordinário. E, sobre ele, já correu muito tinta.

A Igreja em Portugal lançou um Ano Missionário. Os Institutos Missionários Ad Gentes criaram uma Exposição Missionária que tem percorrido o país e está agora em Fátima. As Jornadas Missionárias Nacionais, recentemente realizadas em Fátima, também se juntaram a esta celebração jubilar.

Mas gostava, sobretudo, de partilhar a lindíssima celebração de Abertura, presidida pelo papa Francisco na Basílica de S. Pedro, a 1 de Outubro, festa de S. Teresinha, Padroeira das Missões.

O texto inspirador foi a parábola dos talentos. Excelente escolha. O Papa Francisco, na sua intervenção, começou por elogiar os mártires, como as primeiras testemunhas  da Fé, não com palavras, mas com a vida. O papa lançou a uma Basilica cheia uma pergunta difícil: ‘como vai o meu testemunho?’

Percorrendo a parábola dos talentos, o Papa Francisco lembrou que o grande pecado dos cristãos é a demissão, quando enterramos os talentos e não os pomos a render. Nós recebemos a vida para a pôr em jogo e é preciso dá-la. Pecamos contra a Missão quando paralisamos com o medo, quando não aceitamos mudar justificando que ‘sempre se fez assim’. O Papa volta a propor que sejamos uma Igreja em saída, na direcção de todas as periferias e margens, não perdendo tempo nem energia com o que não vale a pena.

Temos uma força enorme – a de Jesus com o seu amor humilde e gratuito. Temos referências – e na Basílica de S. Pedro estavam as fotos de S. Teresinha e S. Francisco Xavier – ambos padroeiros das Missões, mas também de Pauline Jaricot, a leiga que lançou as Obras Missionárias Pontifícias.

Pede o Papa que não vivamos uma fé de sacristia, pois temos todos de sair à rua, uma vez que ninguém está excluído da Missão da Igreja.  Não foi por acaso que a Igreja em Portugal está a viver este tempo ao ritmo do ‘Todos, Tudo e Sempre em Missão’.

Momento forte foi o envio final, com o Papa a entregar uma cruz a dez pessoas vindas dos cinco continentes para mostrar que a Missão é sem fronteiras. Lembrou o Papa Francisco que ainda há muita gente que continua a viver sem a alegria do Evangelho. E assegura que quem dará a coragem é o Espírito Santo, o protagonista da Missão.

A celebração foi toda cantada em tons gregorianos, mas o canto final foi entoado em diversas línguas por um grupo coral africano, a mostrar outros ritmos e cores.

Estou em Pawtucket, diocese de Providence, a uns 90 kms de Boston, com Missionários  Espiritanos que aqui vivem e acompanham comunidades portuguesas e caboverdianas. Foi uma alegria celebrar as missas dominicais, visitar algumas famílias e encontrar-me com jovens e menos jovens para conversar sobre questões de justiça, paz, ecologia integral e diálogo entre Religiões. São comunidades que nasceram do mundo da emigração, que estão bem integradas na sociedade, mas que querem continuar a rezar na sua língua e segundo a sua cultura e educação religiosa. Também aqui a Missão tem lugar, também a partir daqui a Missão fora de portas é apoiada. Estas gentes, vindas de longe,  têm como horizonte o mundo inteiro.

 

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