Tony Neves, em Roma

As Igrejas Lusófonas já se encontraram catorze vezes para partilhar, reflectir, avaliar e decidir algumas orientações pastorais comuns a implementar nas Igrejas onde o português é língua oficial. Estamos a falar do encontro dos Bispos católicos de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique, Portugal, S. Tomé e Príncipe e Timor.

Este ano, o encontro realizou-se na Guiné, de 16 a 21 de janeiro, com Cabo Verde, Moçambique e Timor ausentes. O tema escolhido foi “O diálogo inter-religioso como promotor da paz e do desenvolvimento”.

Os Bispos percorreram o país para celebrações e visitas, mas o que fica para a história é a assinatura do compromisso pela Paz, pela Fraternidade Humana e a Vida em Comum no Espaço Lusófono.

Este documento a implementar em toda a lusofonia católica, foi lido na Catedral de Bissau, a 19 de janeiro, na Eucaristia que encerrou o Encontro. Saliento algumas partes deste texto que pretende ser programático, a começar pela citação da intervenção do Papa na sua visita aos Emirados Árabes Unidos, quando afirmou que ‘a fé em Deus une e não separa, aproxima na diferença, afasta da violência e do ódio’.

Dizem os Bispos: ‘Vivemos um tempo de grande crise. A ameaça à família, a relativização dos valores e as alterações climáticas ameaçam a sobrevivência da família humana. A nível global, é urgente a revisão e transformação dos modos de vida. As relações humanas, entre pessoas e entre comunidades, e as estruturas sociais e políticas que construímos estão sob observação. Não é afinal aí que todas as formas de desequilíbrio, de abuso e de violência têm lugar, dirigindo-nos neste caminho insustentável? Face à crise, todos buscamos um sentido de vida; muitos recorrem à fé para encontrar sinais concretos de esperança. Milhões de pessoas, e muito particularmente os jovens, põem os seus olhos nos líderes religiosos em busca de sinais, ideias e ações que façam a diferença, que ajudem na construção de uma sociedade mais justa, mais pacífica e mais sustentável, um mundo em que a fé em Deus tenha o rosto da fraternidade humana’.

Os Bispos Lusófonos elogiaram a Declaração sobre a Fraternidade Humana para a Paz Mundial e a Vida em Comum, assinada em Abu Dhabi para uma sadia colaboração entre muçulmanos e cristãos: ‘esta declaração convida “todas as pessoas, que trazem no coração a fé em Deus e a fé na fraternidade humana, a unir-se e trabalhar em conjunto, de modo que tal documento se torne para as novas gerações um guia rumo à cultura do respeito mútuo, na compreensão da grande graça divina que torna irmãos todos os seres humanos”. A declaração afirma, entre outras coisas, que o diálogo, a compreensão e a promoção de uma cultura de tolerância e aceitação dos outros e de convivência pacífica contribuiriam significativamente para reduzir muitos problemas económicos, sociais, políticos e ambientais, que muito pesam sobre grande parte da humanidade, em particular os mais vulneráveis’.

Este Compromisso assinado em de Bissau pela Paz, a Fraternidade Humana e a Vida em Comum no Espaço Lusófono é – para as Igrejas – ‘a manifestação da nossa vontade de continuar a aprofundar a reflexão e o diálogo e a desenvolver parcerias e ações conjuntas nos países lusófonos’.

Concluem os Bispos: ‘Com fé e confiança em Deus, juntos vamos construir a paz na fraternidade e na solidariedade, na convivência e na reconciliação, na justiça e na esperança’.

 

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