Padre Robert Vitillo esteve em Portugal a participar no Congresso Mundial da União Internacional Cristã dos Dirigentes e Empresários

Foto @reuters

Lisboa, 26 nov 2018 (Ecclesia) – O secretário-geral da Comissão Católica Internacional para as Migrações destacou em Lisboa a resposta que Portugal tem dado à crise de migrantes e refugiados, e realçou a importância de um esforço “bilateral” de integração.

Em entrevista à Agência ECCLESIA, o padre Robert Vitillo recordou o exemplo de Portugal, de modo especial a Igreja Católica, através da “Conferência Episcopal Portuguesa e da Cáritas Portuguesa, que “têm trabalhado muito no acolhimento aos migrantes e refugiados”.

Isto quando “na Europa e nos países industrializados parece que estamos perante uma tendência hoje de fechamento de fronteiras, de deportação de pessoas, de uma política populista e nacionalista”, apontou o sacerdote norte-americano.

Para aquele responsável católico, a implementação de uma política de exclusão nunca será uma boa via, até “para os próprios países de acolhimento”.

“Em muitos países os migrantes são necessários, para trabalhar e para partilhar as suas culturas, os seus valores e experiências”, defendeu o secretário-geral da Comissão Católica Internacional para as Migrações, que sublinhou a necessidade de uma “integração bilateral” e “não apenas na lógica de apoiar os migrantes e refugiados enquanto objetos passivos”.

Uma integração que, sustentou o padre Robert Vitillo, possa ir mais ao encontro da proposta que o Papa Francisco deixou, através da encíclica ‘Laudato Si’.

“As pessoas precisam de interiorizar o verdadeiro significado da encíclica ‘Laudato Si’. Não se trata apenas de um documento sobre alterações climáticas, é uma encíclica que aborda a verdade sobre o desenvolvimento humano integral”, defendeu aquele responsável católico pelo setor das Migrações, que mesmo assim vai vendo “mudanças positivas”, ao nível de projetos locais.

Foto. Agência ECCLESIA / JCP

“A nível local, mesmo na Europa, temos autarquias e outros organismos que são mais abertos do que os próprios governos a receber migrantes e refugiados”, reconheceu.

Na última semana, o padre Robert Vitillo esteve no Uganda com um grupo de líderes empresariais de vários pontos do globo, “que estão interessados em dedicar parte dos seus recursos ao apoio a refugiados e migrantes”. no âmbito de uma iniciativa intitulada ‘O desafio da Laudato Si 2018’.

“Os empreendedores e líderes empresariais têm um papel valioso a promover, podem dar financiamento, recursos, partilhar boas práticas, podem também ajudar os países no desenvolvimento de estratégias mais eficazes de integração de migrantes e refugiados”, relevou o sacerdote norte-americano.

Este grupo de empreendedores e empresários vai estar esta semana em Roma, no sentido de partilhar com a Santa Sé um conjunto de 40 projetos económicos  dedicados precisamente ao apoio a migrantes e refugiados.

O secretário-geral da Comissão Católica Internacional para as Migrações foi um dos participantes do Congresso Mundial da União Internacional Cristã dos Dirigentes e Empresários (Uniapac), que teve lugar na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa.

A iniciativa, que decorreu entre 22 e 24 de novembro, juntou cerca de 450 participantes de 32 países, entre empresários, pensadores, académicos, políticos, representantes de Igrejas e da sociedade civil, cristãos e também não cristãos, à volta do tema ‘O negócio como uma nobre vocação’.

JCP

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