Jornadas Pastorais do Episcopado debatem impacto da inteligência artificial

Fátima, 15 jun 2026 (Ecclesia) –O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) defendeu hoje que a Igreja devem manter o foco no anúncio do Evangelho, no meio das transformações provocadas pela inteligência artificial (IA).
“O que gostaria de propor é que, no meio desta análise, destes diagnósticos, tanto acerca da revolução tecnológica como acerca da cultura hodierna, que não se perdesse o anúncio da fé”, apelou D. Virgílio Antunes, na abertura das Jornadas Pastorais do Episcopado, que decorrem em Fátima sob o tema ‘Anúncio da Fé na Nova Revolução Tecnológica (IA) e na Nova Cultura’.
O responsável católico evocou a recente encíclica ‘Magnifica Humanitas’, sublinhando a ousadia do Papa Leão XIV ao intervir magisterialmente “estando ainda no meio do turbilhão” de uma inovação acelerada.
“Quando o Papa Leão XIII publicou a ‘Rerum Novarum’ [1891] havia porventura algumas seguranças maiores, não só acerca do impacto, mas também acerca dos desafios que essa mesma revolução industrial fez”, assinalou o bispo de Coimbra.
Segundo o responsável católico, a análise técnica e sociológica do fenómeno digital tem de estar subordinada ao desígnio de guiar a humanidade contemporânea a uma descoberta espiritual.
“Esta realidade do encontro com Deus, que é o objetivo fundamental do anúncio da fé”, clarificou D. Virgílio Antunes, falando em “novos caminhos de descoberta e de encontro do Deus”.
O presidente da CEP registou o alargamento da participação nestas jornadas a outros representes diocesanos, reiterando que o episcopado nacional está “plenamente alinhado” com o dinamismo da sinodalidade exigido pelo Vaticano.
“Penso que no início destas jornadas, em que reunimos representantes das diferentes comunidades em Portugal, é importante salientar de novo este aspeto, porque estamos efetivamente todos alinhados e decididos em levar por diante o programa da Igreja iniciado pelo Papa Francisco e, de forma tão expansiva e continuada sob o pontificado do Papa Leão XIV”, acrescentou D. Virgílio Antunes.
O programa formativo reúne mais de uma centena de participantes, incluindo bispos portugueses, representantes das dioceses e responsáveis dos organismos nacionais da CEP, para refletir sobre os desafios e oportunidades que a IA, as redes sociais e a cultura digital colocam à vida e à missão da Igreja.

Depois da abertura feita por D. Virgílio Antunes, presidente da CEP, as conferências do primeiro dia são proferidas por monsenhor Renzo Pegoraro, presidente da Academia Pontifícia da Vida, sobre os desafios éticos e humanos associados à atual revolução tecnológica.
Os trabalhos prosseguem na terça-feira, com uma manhã dedicada à comunicação da fé em ambiente digital.
Juan Narbona, professor na Faculdade de Comunicação Social na Pontifícia Universidade de Santa Cruz, apresenta uma reflexão sobre estratégias digitais para instituições eclesiais e realidades religiosas, seguindo-se uma sessão dedicada à presença dos sacerdotes nas redes sociais.
A tarde conclusiva vai ser dedicada à relação entre tecnologia, espiritualidade e teologia.
O presidente da CEP deixou votos que, no final dos trabalhos, todos tenham “um conhecimento mais objetivo e mais fundamentado acerca da realidade” desta nova evolução tecnológica.
“Que tenhamos também algumas pistas mais claras e estejamos disponíveis para implementar caminhos de anúncio da fé no concreto da cultura, da sociedade e da humanidade em que estamos imersos e para a qual sentimos que a Igreja teve, tem e terá sempre uma palavra e um testemunho adequados”, indicou D. Virgílio Antunes.
LFS/OC
